Warren NabucoIdalto José, Míriam Mwewa e Lázaro Modesto, do Mundo Verde Amarelo: projeto para envolver a comunidade

Enquanto se discute a falta de espaços para atividades culturais em Londrina, a Fundação Mundo Verde e Amarelo arregaça as mangas e vai à luta. Com apoio da administração do Shopping Com-Tour, a entidade planeja revitalizar o antigo cinema Studio Com-Tour - que deixou de exibir filmes em 1991 -, transformando-o em Espaço Cultural. Os primeiros passos para que isto se torne realidade já estão sendo dados, com o desenvolvimento de uma série de projetos culturais naquele local.
Hoje, por exemplo, a Fundação promove, em frente ao local, a partir das 19 horas, um jantar-dançante com comidas típicas africanas para fazer o lançamento do projeto ‘‘Tô De Bem Com a Vida’’, criado pelo professor de dança Lázaro Modesto. O projeto prevê a criação de um bloco carnavalesco permanente que possa, após o Carnaval, desenvolver-se para uma companhia de dança.
Segundo Modesto, este é um projeto antigo que procura mostrar como a dança é importante para o homem e que vai funcionar nos moldes dos blocos da Bahia. ‘‘Mas não vamos ficar restrito ao Carnaval. Nosso objetivo é mais abrangente, com o desenvolvimento de vários tipos de danças até que possamos fundar uma companhia’’ - explica. O jantar-dançante é por adesão e custa R$ 10,00 por pessoa. Mas, segundo Modesto, para participar do bloco não é obrigatório participar do jantar. ‘‘A taxa de inscrição é de R$ 10,00 com direito a uma camiseta’’ - diz.
Outro projeto que está em andamento é o ‘‘Descobrindo Talentos’’ que se subdivide em várias áreas: desenho, canto, música e teatro. Destas, por enquanto, apenas a área de desenho está sendo posta em prática, com aulas de Desenhos Artístico e Profissional e Histórias em Quadrinhos, ministradas todos os sábados pelo professor Carlos Egon. A procura por este curso - que tem duração de nove meses - está superando as expectativas. A taxa mensal é de R$ 35,00.

O prédio precisa
de reformas que
vão do telhado
ao ar-condicionado





Comunidade cultural Segundo o diretor-presidente da Fundação, Idalto José de Almeida, existem ainda outros vários projetos para ocupação daquele espaço. ‘‘Todos estão direcionados ao desenvolvimento do ser humano, nos aspectos sócio-econômicos e culturais’’ - diz. Além disto, segundo ele, o espaço vai estar aberto para pessoas e grupos do movimento cultural londrinense que queiram ali desenvolver atividades e eventos. ‘‘Estamos, inclusive, convidando pessoas que tenham projetos deste tipo para entrar em contato conosco’’ - diz.
A principal preocupação dos diretores da Fundação, no momento, é criar um público que participe das atividades culturais oferecidas ali. Pelos menos, até março, quando vence a permissão para que a Fundação ocupe o espaço. ‘‘Vamos tentar desenvolver várias atividades para que haja este retorno de público, que nos garanta uma prorrogação de prazo, para que o espaço possa vir a ser recuperado como merece e que possa até voltar a exibir filmes, também’’ - explica.
Embora ainda não tenha feito um levantamento de custos, Idalto afirma que vai ser preciso fazer várias reformas no local, que está cheio de goteiras, sem poltronas e sem sistema de ar-condicionado. Por isto, está buscando parcerias com empresas e até a Universidade Estadual de Londrina. ‘‘Sabemos que a UEL fez uma carta de intenção para a utilização do local como cinema de arte e livraria. Quem sabe, trabalhando juntos, possamos acelerar o processo, e tornamos o local um amplo espaço cultural - nem só teatro, nem só cinema’’ - diz.
Além disto, a Fundação quer também envolver toda a comunidade para a recuperação deste espaço. ‘‘Existe uma pré-disposição da administração do shopping de investir parte do IPTU, através da Lei de Incentivos Fiscais à Cultura, na revitalização deste local e no desenvolvimento de projetos. A Pepsi-Cola, por exemplo, sempre nos deu apoio em vários projetos. Talvez se anime a nos ajudar também desta vez. O importante é que não seja apenas um grupo de pessoas a lutar por isto e, sim, que toda sociedade se envolva. Tanto o shopping como cinema fazem parte importante da história da cidade’’ - garante.
Mais informações sobre projetos e a recuperação do espaço podem ser obtidas pelo fone (043) 327-0910.

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