foto: Consulado do MéxicoIgreja de Santa Clara de ViterboSaindo da Cidade do México em direção ao Oeste, entra-se no Estado de Querétaro. A paisagem não é desértica, mas é árida o suficiente para que floresçam magueys, espécie de cacto com que se faz o pulque, uma bebida alcoólica que acaba sendo o único alimento para os Otomies, índios pobres da região. Aqui, aliás, não é incomum que as crianças Otomies cheguem à escola de porre. Isso junto às regiões de gado mais produtivas do país, onde nasceu a cultura das charrerías, os rodeios. Aliás, o espírito caubói, tão associado aos americanos do norte, é uma cultura que se irradia de Querétaro para aqueles estados perdidos pelo México na guerra com os Estados Unidos no século 19: Texas, Novo México e Califórnia.
A primeira cidade importante pela frente é Querétaro Capital. Com 850 mil habitantes, está em plena fase de crescimento. Muitas empresas vieram se instalar aqui por causa do clima ameno e dos serviços de transporte. Calçadões e alamedas arborizadas, casas pintadas com cores fortes e rigorosamente preservadas, plazas com arcos, sacadas floridas... Uma viagem instantânea no tempo!
Querétaro foi palco de inúmeros acontecimentos históricos. Em 1810, por exemplo, era nos saraus literários da mulher da autoridade espanhola local, a senhora Josefa Ortiz de Dominguez, que se começou a tramar a independência.
Claro que o espisódio tem lances de alcova, com o possível envolvimento não apenas político entre dona Josefa e Ignácio Alllende, insurgente da primeira hora. Mas o fato é que quando o Corrigidor se deu conta do levante e do envolvimento da esposa, mandou trancá-la em seu quarto. Ela não se fez de rogada: às sapatadas na porta, conseguiu um criado que levasse o recado de que a rebelião havia sido descoberta. Poucos dias depois, o padre Hidalgo daria seu ‘‘grito’’detonando o levante.
HistóriaFoi em Querétaro também que, em 1848, foi assinado o tratado que pôs fim à guerra contra os americanos, reduzindo à metade o território mexicano.
Querétaro foi o último lar do imperador Maximiliano, coroado por Napoleão III e executado em 1867. No mesmo lugar, o governo húngaro fez construir uma capela em sua memória, o Cerro de Las Campa¤as. A poucos metros dali, a estátua do seu sucessor, Benito Juarez. Contradições mexicanas? Não, apenas o modo como a história se fez por aqui...
Também foi em Querétaro que a constituição mexicana de 1917 foi assinada, primeira depois do processo revolucionário instaurado no país por Pancho Villa e Zapata, em 1910. Tudo isso está vivo em diversos monumentos. São lugares de visita obrigatória, além do Cerro de Las Campa¤as, a Plaza de Armas, rodeada de um fantástico casario colonial, incluindo a casa de Josefa Ortiz, atual Palácio Municipal; o Convento de San Francisco, que é o Museu Regional de Querétaro; a Igreja de Santa Clara de Viterbo e Los Arcos, o aqueduto que durante muito tempo abasteceu a cidade.

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