A minha cabeça não é mais a de um garoto. Mas minha memória registra alguma coisa de muitos fatos sociais e eventos esportivos que aconteceram no Londrina Country Clube e que cobri para a FOLHA, entre l957 e 1987, principalmente.
E agora que recebo o convite para o Baile do Cinquentenário, enviado pelo presidente Arthur Van Den Berg Junior e pelo presidente Eduardo Medina, do
Conselho Deliberativo, me deu saudades de muitas pessoas, de vários ex-dirigentes e de festas do LCC. E do que também ouvi ao longo dos anos. Recordar é viver, eu ontem sonhei com você! - dizia um dos sambas mais tocados no Carnaval de anos atrás no country. Pois então vamos recordar!
O Country sempre lutou para ter uma bela sede. Muitos foram os esforços de diversos presidentes e diretores. Hoje tem notável parque social. Presidentes lutadores e realizadores o Country sempre teve. Entre eles, Aristides de Souza Mello, Orlando Mayrink Goes, Haroldo Marques Sardenberg, Annibal Siqueira Cabral, Lisandro Araujo, Jonas Moraes Alves de Lima, Edgar Pietraróia, Aljocir Esteves, Edevaldo Viécili, Beto Monteiro, Haroldo Marçal e Benedito Grizzo.
Aristides de Souza Mello, engenheiro da Cia. Melhoramentos do Norte do Paraná, foi o primeiro presidente. Ele trouxe a idéia de Campos do Jordão. O Country foi fundado em 46. Inicialmente, incentivava a prática do tênis.
A sede de madeira do Londrina Country Clube, a chamada sede de inverno, deveria ser tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado. É coisa rara que Londrina precisa preservar.
Orlando Mayrink Goes incentivou muito o esporte de uma maneira geral no Country. O basquetebol masculino foi grande sucesso. Mayrink Goes trouxe Barrinhos, de Ponta Grossa, e Ody Donini, de Catanduva. Eram dois craques.
Foi o começo do basquetebol de Londrina. Orlando jogou também, formando o time com Nelson Maculan (eleito Senador da República, mais tarde), Evonir Bordin (que era um craque) e os mais jovens, como Toshihiko Tan, Gumercindo dos Santos, Alcides Gonini, Wilson de Andrade (que foi candidato a Prefeito) e etc.
Eram juvenis do basquetebol do Country: Julio Roherig, Gogô (Carlos Rubens Rosa), Tucho (Clarisvaldo Nogueira, hoje médico), João Roveri Filho (que jogava bem), Tamotsu Taruma, etc.
Em 54, surgiram novos valores como Ruy Carneiro, Horst Carlos Tolkmitt (já falecido), que é o jogador que mais pontos fez numa partida no mundo, até hoje, e que acabou não entrando para o Livro Guinness de Recordes, porque morreu.
Tolkmitt fez mais de 125 pontos numa partida! Ele enviou, pouco antes de falecer, carta a Ruy Carneiro, com todos os detalhes. Lamentavelmente, faleceu antes de conseguir o registro no Guinnes Book. Em jogos oficiais, o norte-americano Chamberlain, fez 100 pontos. Tolkmitt marcou 125, numa partida! A LEAL tinha a cópia da súmula. Ele morreu há 9 anos.
Quando pegou fogo a sede de inverno, em 58, o presidente era Annibal Siqueira Cabral e Orlando Mayrink Goes, presidente do Conselho Deliberativo. Este encabeçou movimento para construir o ginásio de esportes apelidado de Pandeirão. E convidou o falecido Tito Carneiro Leal, gerente do Banco do Brasil, pai do também falecido Gilney Carneiro Leal, para arrecadar o dinheiro.
Quando presidente do Country, o empresário Orlando Mayrink Goes, revelando grande visão para o futuro, comprou para o clube o alqueire de fundo, onde hoje está o parque aquático e outras instalações esportivas. O que valorizou sobremaneira a agremiação. O testemunho é do advogado e profº. Ruy de Jesus Marçal Carneiro.
A nova sede foi começada e realizada em grande parte pelo presidente Edgar Pietraróia.
Haroldo Marçal reformou a sede social, construiu canchas para o tênis e construiu a grande piscina. Benedito Grizzo, em dois mandatos, modernizou a agremiação e completou o parque social, com a construção de várias obras, como piscinas para competições e aquecidas, quadras cobertas para o tênis, saunas, restaurantes e canchas para a turma do futebol.
Em 57, eu cobri os 1º Jogos Abertos do Paraná. A maioria das competições foram realizadas no Country. Londrina tinha um timaço de basquetebol. Curitiba tinha Muricy, Macarrão, Joaquim Miró, o falecido Darcy Cortes e etc. Londrina tinha Ruy, Oscar Pimpão, Rey, Gonini, Toshihiko, Gogô, Horst Tolkmitt e etc.
Leila Pismel, Vera Seixas, Luci Maia (seleção brasileira de tênis), Lilian Nuremberg Moreira, Glória Funaro, Glauce Poli, foram excelentes atletas dos anos 50 e começo dos anos 60 do Londrina Country Clube.
Esmeraldo de Souza trouxe os times do Palmeiras, do XV de Piracicaba e Ponta Grossa, para disputar torneio com o combinado Country-Guanabara, que era o time dele. Para obrigar o público a pagar ingresso, ele cercou as arquibancadas montadas com lençóis e colocou guardas. Afinal a promoção custou caro. No Palmeiras craques como Paulinho Marcondes (que era de Presidente Prudente), Vitor, Jatir e Mosquito. No XV, Vlamir, Rosa Branca, Pecente, Valdemar , Buck e Mané, Zé Carlos. O time de Ponta Grossa contava com Mair, Almir (campeões do mundo pela seleção brasileira),
Cabeção, Monta, Chaia, Dadico, Ciro Frare, Derci, Otto (que foi prefeito da cidade, depois).
O Country teve e tem um grande número de excelentes atletas. Que é assunto para o departamento de esportes do jornal, pois seus jornalistas estão muito mais atualizados do que eu.
Muita mulher bonita passou pelo Country. Pelas suas passarelas, pelos seus bailes, jantares, festas, casamentos e etc. Relacioná-las seria correr o risco de esquecer nomes.
O Country já foi palco de muitas histórias engraçadas. De muitos romances. Alguns na base do segredo. Fogosas paixões. O Country já viu surgirem e acabarem algumas fortunas. O bar do clube, e sua varanda na sede de inverno, já presenciaram o sorriso e o choro de muitos cafeicultores. O Country já viu muita gente fingir ser o que nunca foi. E etc.
Eu tenho uma foto sentado num canto do palco da antiga sede social (hoje virou parte das quadras cobertas de tênis) do Country, com o jovem repórter Antônio Belinati. Era 64, ano da eleição de Miss Londrina. Para a nova fase do concurso Miss Paraná. Belinati foi cobrir para a Rádio Londrina (onde fazia seu programa às 11 horas). À noite, ele lia o noticiário Telenotícias Transparaná, na TV Coroados.
Um dia, no Country, o médico Lorenzo Isquierdo pediu-me para fazer campanha filantrópica, pela televisão, onde, em 64, eu fazia o programa Reportagem Social. Um garoto precisava de aparelhos ortopédicos. Fiz. O primeiro doador foi o falecido José Garcia Molina, grande alma e um baita coração, diretor da Viação Garcia. O segundo foi o radialista Antônio Belinati, que arrumou o equivalente a 10 reais, com seus ouvintes na Rádio Londrina. O terceiro foi o médico Osvaldo Palhares, de saudosa memória também.
No Country, o Jóquei Clube de Londrina, presidido pelo médico João Nicolau, também já falecido, promoveu seu baile de gala em 64. À beira da antiga piscina. João Nicolau movimentava bem o Jóquei. Baile de gala. Trouxe para a festa nada menos do que Angela Vasconcelos, Miss Brasil, uma das mais belas jovens que o país já teve.
João Nicolau, grande amigo, fez questão de me dar o smoking para o baile. Aliás, foi o primeiro que tive.
Vi no Country a Orquestra Panamericana, do médico Newton Vieira Lima, sogro do advogado Cláudio Canezin, que foi diretor social do clube anos mais tarde.
A orquestra era fantástica. Ele trouxe grandes músicos para Londrina. A região e a cidade não comportavam tamanho empreendimento. Ele lutou muito para mantê-la. Ele colocou Londrina no mapa musical do Brasil.
Senhores dirigentes do Country: a orquestra que estão trazendo para o baile do cinquentenário, dia 30, deste mês, é excelente. Ed Costa (tomara que ele venha junto) formou uma banda excelente. Deve custar caro. Pois a Orquestra Panamericana, de Newton Vieira Lima, não ficava atrás. Podem acreditar.
Sim, o Country também teve brigas de homens por causa de mulheres e vice-versa. Isto é saboroso molho da vida. Vamos respeitar os fatos. Homem brigar por mulher, é dever dele. Mulher brigar pelo homem, é homenagem delas ao ego masculino.
Também é verdade que aquela bela aeromoça perdeu o avião, após o baile de carnaval no Country, em 58. Era uma mulher, meio dinamarquesa, tipo manequim europeu. Quase perdeu o emprego. Mas Aljocir Esteves, gerente da VASP, segurou a barra com o comandante.
E aquela cantora famosa que se amarrou num diretor do Country? Casado? Ou foram fofocas de Mariquinha e Maricota?
Um show inesquecível no Country: da cantora Claudete Soares com o trio de Pedrinho Mattar. Azeitona, um crioulinho que tocava contrabaixo, fez o público aplaudi-lo em pé.
Um dos melhores tempos de vida social (com muitas promoções) foi quando o Country teve Aljocir Esteves na presidência e Rudolf Kresth como diretor social e integrante do Conselho. O Country vivia repleto. E seus bailes de reveillon e carnaval foram excelentes. Com Lisandro Araujo também. Ele movimentava bastante o Country. Outro diretor social que movimentou muito o Country foi o advogado Waldomiro Val. Neste época o Carnaval do LCC obteve sempre sucesso. Pedro Barbosa Lopes foi outro dinâmico diretor social. Botou o Carnaval do Country nos desfiles de rua de Londrina. E botou dinheiro do bolso. Pedro sempre teve paixão pelo Country.
Vou parando por aqui. Mas como diria a Secretaria da Cultura: o Country tem história. É preciso contá-la. Senhores diretores atuais: tim-tim! O Country merece a melhor taça de champanhe. Pode ser a Don Perignon, que é a preferida das grandes estrelas da vida. Ou mesmo uma gelada Asti Fontanafreda, que refresca a alma.
Se cometi alguma injustiça, entre em contato com o colunista. Se quiser dizer alguma coisa sobre o Country, escreva-me. O Country é um dos patrimônios desta Londrina querida!

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