Com uma aplau­di­da car­rei­ra no ­País, o es­pe­tá­cu­lo tea­tral ‘‘Suí­te 1’’ é rea­pre­sen­ta­do ­após ­dois ­anos em Cu­ri­ti­ba, no Tea­tro Jo­sé Ma­ria San­tos, em cur­ta tem­po­ra­da que co­me­ça ho­je e vai até do­min­go. A pe­ça faz par­te do re­per­tó­rio fi­xo da Com­pa­nhia Bra­si­lei­ra de Tea­tro, se­dia­da na ca­pi­tal pa­ra­naen­se, mas que se apre­sen­ta com ­maior fre­quên­cia em São Pau­lo e Rio de Ja­nei­ro. ‘‘Gos­ta­ría­mos mui­to de fa­zer ­mais apre­sen­ta­ções em Cu­ri­ti­ba. É uma ci­da­de que dá uma cer­ta tran­qui­li­da­de pa­ra ­trabalhar’’, co­men­ta o di­re­tor Mar­cio ­Abreu.
  O tex­to foi es­cri­to em 2002 pe­lo dra­ma­tur­go fran­cês Phi­lip­pe Min­ya­na co­mo par­te de uma tri­lo­gia ba­sea­da na pes­qui­sa e ob­ser­va­ção do ho­mem. No pal­co en­con­tram-se um per­so­na­gem mas­cu­li­no (Ra­nie­ri Gon­za­lez) e cin­co fe­mi­ni­nos (Chris­tia­ne de Ma­ce­do, Chi­ris Go­mes, Gio­va­na ­Soar, Nad­ja Nai­ra e ­Thais Te­des­co).
  Po­de-se ima­gi­nar que ha­ja um con­fli­to de se­xos, mas não é is­so o que acon­te­ce. ‘‘O fun­da­men­tal no tex­to é uma ques­tão re­la­cio­na­da à me­mó­ria. Du­ran­te o es­pe­tá­cu­lo, as cin­co mu­lhe­res ten­tam res­ti­tuir me­mó­rias de­las com ele. No en­tan­to, não se sa­be ­qual o ­grau de re­la­cio­na­men­to en­tre ­eles, se são ami­gas, pa­ren­tes ou ­namoradas’’, ex­pli­ca o di­re­tor. As­sim co­mo no tex­to ori­gi­nal (que ga­nhou tra­du­ção da ­atriz Gio­va­na ­Soar, pre­sen­te no pal­co), há uma mes­cla de se­rie­da­de e hu­mor, ­além de crí­ti­ca e poe­sia. ‘‘Não é pro­pria­men­te uma co­mé­dia ou um dra­ma. Es­tá na fron­tei­ra en­tre os ­dois. Es­ta é uma ca­rac­te­rís­ti­ca do tea­tro ­contemporâneo’’, re­la­ta.
  Ou­tra ca­rac­te­rís­ti­ca con­tem­po­râ­nea es­tá re­la­cio­na­da à nar­ra­ti­va, que não obe­de­ce cro­no­lo­gia. ‘‘Não se sa­be se en­tre uma ce­na e ou­tra pas­sou-se um dia, ou ­mais tem­po, nem se os fa­tos es­tão em or­dem cro­no­ló­gi­ca. Is­so fi­ca em aber­to co­mo uma su­ges­tão pa­ra que o pú­bli­co fa­ça sua pró­pria ­leitura’’, acres­cen­ta. É in­te­res­san­te ci­tar que na­da no es­pe­tá­cu­lo tem in­fluên­cia ex­ter­na. Tu­do é fei­to do pal­co, se­ja a mú­si­ca (to­ca­da ao vi­vo ou re­pro­du­zi­da me­ca­ni­ca­men­te), a luz (co­man­da­da pe­la ­atriz Nad­ja Nai­ra), ou até o ca­fé que os ato­res to­mam du­ran­te a pe­ça.

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