Reconstituição de memórias no palco
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de março de 2009
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Com uma aplaudida carreira no País, o espetáculo teatral Suíte 1 é reapresentado após dois anos em Curitiba, no Teatro José Maria Santos, em curta temporada que começa hoje e vai até domingo. A peça faz parte do repertório fixo da Companhia Brasileira de Teatro, sediada na capital paranaense, mas que se apresenta com maior frequência em São Paulo e Rio de Janeiro. Gostaríamos muito de fazer mais apresentações em Curitiba. É uma cidade que dá uma certa tranquilidade para trabalhar, comenta o diretor Marcio Abreu.
O texto foi escrito em 2002 pelo dramaturgo francês Philippe Minyana como parte de uma trilogia baseada na pesquisa e observação do homem. No palco encontram-se um personagem masculino (Ranieri Gonzalez) e cinco femininos (Christiane de Macedo, Chiris Gomes, Giovana Soar, Nadja Naira e Thais Tedesco).
Pode-se imaginar que haja um conflito de sexos, mas não é isso o que acontece. O fundamental no texto é uma questão relacionada à memória. Durante o espetáculo, as cinco mulheres tentam restituir memórias delas com ele. No entanto, não se sabe qual o grau de relacionamento entre eles, se são amigas, parentes ou namoradas, explica o diretor. Assim como no texto original (que ganhou tradução da atriz Giovana Soar, presente no palco), há uma mescla de seriedade e humor, além de crítica e poesia. Não é propriamente uma comédia ou um drama. Está na fronteira entre os dois. Esta é uma característica do teatro contemporâneo, relata.
Outra característica contemporânea está relacionada à narrativa, que não obedece cronologia. Não se sabe se entre uma cena e outra passou-se um dia, ou mais tempo, nem se os fatos estão em ordem cronológica. Isso fica em aberto como uma sugestão para que o público faça sua própria leitura, acrescenta. É interessante citar que nada no espetáculo tem influência externa. Tudo é feito do palco, seja a música (tocada ao vivo ou reproduzida mecanicamente), a luz (comandada pela atriz Nadja Naira), ou até o café que os atores tomam durante a peça.


