Não é raro que alguns atores transmitam a seus personagens algumas de suas características marcantes. No caso de Eliane Giardini, é seu jeito energético que inunda a maioria das personagens que interpretou nesses quase 30 anos de tevê. E é com o olhar atento e um discurso empolgado que ela se define como uma pessoa ''fissurada'' pelo trabalho. Aos 57 anos de idade, a paulista de Sorocaba tem motivos de sobra para se entusiasmar. Apesar de acumular vários papéis de destaque nas novelas da Globo, somente agora, como a professora de dança Hélia Pimenta de ''Tempos Modernos'', ela tem a oportunidade de interpretar a primeira protagonista de sua carreira. ''É muito gratificante saber que as pessoas confiam em você a esse ponto. E a Hélia é uma personagem intensa, do jeito que gosto de fazer''.
Após emendar seis produções na Globo, de 2005 a 2009, Eliane mal teve tempo de descansar. Quando ''Caminho das Índias'' chegou ao fim, em setembro do ano passado, a atriz já estava escalada para atuar em ''Tempos Modernos''. Depois que a atual novela das sete terminar, em meados de julho, ela já começa a rodar um filme em parceria com a filha.


Sua carreira emplacou aos 40 anos de idade e hoje, aos 57, você está fazendo sua primeira protagonista. Em algum momento você teve medo de ter seus papéis limitados em função da idade?
Minha vida vai ficando melhor, mais leve. Com o tempo, você vai criando alternativas. Acho importante ter projetos próprios. Isso faz com que o ator não fique com tanta ansiedade batendo em uma porta só.


Você já interpretou diversos personagens marcantes em sua carreira, mas a Hélia é a primeira protagonista. O que mudou?
O que muda, talvez, seja uma posição de mais responsabilidade que o ator ocupa. Não chega a causar um frio na barriga. É uma alegria a mais. É bom saber que você tem a confiança de um autor e de um diretor para estar em uma posição como essa.


A Hélia é uma personagem cheia de nuances, que passeia pela comédia, drama e romance. Como é trabalhar todas essas características?
Acho gostoso fazer trabalhos que passeiam por vários estados. Exige mais esforço, dedicação e empenho, mas é melhor. Cada vez mais chego à conclusão de que o autor é a coisa mais importante. Se você não tem uma boa cena para fazer, não adianta toda a experiência, inspiração, vontade ou carisma. Não acrescenta em nada. Quando você tem um bom personagem, ele te carrega.
Suas personagens costumam ser mulheres muito intensas. Essa é uma característica que você procura nelas?

R - Não. Imagino que todas as vezes que há personagens com temperamento mais forte ou mais dramático seja fácil me encaixar. Existe um perfil do ator que sempre é levado em consideração. Dificilmente vão me ver fazendo uma pessoa com muita paciência, muito calma.


Mas você tem vontade de sair desse perfil e interpretar uma mulher mais tranquila, por exemplo?
A gente tem outros canais para isso. Como o teatro e o cinema, por exemplo. Não tem um personagem que eu pense agora e queira muito fazer. Gosto de bons personagens, de boas histórias. E hoje, para dizer a verdade, mais do que tudo, escolho trabalhos pelas pessoas que estão envolvidas. É muito tempo de convivência, quase um ano das nossas vidas.


Tempos Modernos vem tendo problemas com relação à audiência. Isso chega a te incomodar?
Não me incomoda em nada. Todas as novelas, quando estreiam, têm esse tempo de acomodação. O público vive um certo luto pelos personagens quando uma novela termina. Morrem todos em uma noite só e as pessoas se ressentem. Por isso, tem de haver um tempo para que a nova história e a nova equipe cheguem. Não existe receita. O público que vai dar o espelho exato de onde aquilo tem que ir. Novela é uma massinha de modelar.

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