Reconhecimento merecido
RECONHECIMENTO MERECIDO
Décio de Almeida Prado receberá prêmio da ABL pela importância de sua obra
Jotabê Medeiros
Agência Estado
São raras as ocasiões em que o crítico, ensaísta e escritor Décio de Almeida Prado sai de sua casa na Rua Flávio Queirós Morais, no Pacaembu, em São Paulo para empreender uma viagem longa. O dia 20 de agosto será uma dessas ocasiões: Prado irá ao Rio de Janeiro receber, no Salão Nobre da sede da Academia Brasileira de Letras, às 17 horas, o Prêmio José Ermírio de Moraes.
Prado vai receber o prêmio pela publicação do livro Seres, Coisas, Lugares - Do Teatro ao Futebol (Companhia das Letras, 1997), mas a academia também justificou a escolha do crítico pela importância da sua obra, por toda uma vida dedicada à literatura e à crítica teatral. O livro recebeu um prêmio da Biblioteca Nacional, no início do ano, na categoria ensaio.
Décio de Almeida Prado escreveu durante 22 anos no jornal O Estado de S. Paulo, no Suplemento Literário. Além da homenagem, o escritor receberá da academia R$ 75 mil. Comecei o meu trabalho como crítico em 1941, na revista Clima, em que tive como colegas Antônio Cândido, Paulo Emílio Salles Gomes, Lourival Gomes Machado e Ruy Coelho, lembra Prado. Mas foi como crítico do Estado, entre 1946 e 1968, que fiz todo o meu aprendizado crítico, afirma.
Modesto, Prado credita a um período fértil da vida teatral brasileira sua fecunda atividade crítica. Acompanhou a revolução cênica que Ziembinski e seu grupo Os Comediantes fizeram com a montagem de Vestido de Noiva - Prado lembra que viu a peça em 1943. Em 1947, o próprio Nélson Rodrigues veio a São Paulo com Os Comediantes e eu o conheci pessoalmente, recorda-se.
Foi também professor da Escola de Artes Dramáticas - foi de uma dessas aulas que surgiu o teatro de arena brasileiro. Vi o Oficina quando era amador, assim como Cacilda Becker e Paulo Autran, entre outros atores, trabalharam comigo quando ainda eram amadores, lembra Prado, que também foi ator. Fiz só papéis pequenos e realmente não era a minha vocação, admite. Não que eu não goste de atuar, mas o fato é que em relação ao teatro sou mais contemplativo.
Filho do professor de medicina Antônio de Almeida Prado e de Zilda Junqueira de Almeida Prado, o crítico Décio nasceu em 14 de agosto de 1917, em São Paulo. Seu interesse pelo teatro começou ainda criança, quando assistiu a uma peça de Raul Roulien. Estimulado pelo pai, buscava uma carreira artística, mas a princípio quis ser poeta, como Martins Fontes.
Já no ginásio, em colaboração com Paulo Emílio Salles Gomes, editou alguns jornais estudantis, entre 1929 e 1933. Formou-se em Filosofia e Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, em 1938, e é também bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Chegou a lecionar filosofia em colégio estaduais. Em 1939, na França, viu uma representação de Macbeth, de Shakespeare, com a companhia de Copeau. Também estive em Nova York vendo algumas peças a convite do governo americano, durante quatro meses, em 1959, recorda.
Em 1943, dirigiu o Grupo Universitário de Teatro, que tinha Lourival Gomes Machado como responsável pelos cenários e figurinos. Entre outras atividades, foi presidente da Associação Paulista de Críticos Teatrais durante sete anos não consecutivos. Também fez parte do Conselho Editorial da Revista USP, entre 1989 e 1993.





