Reconhecimento internacional
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terça-feira, 05 de abril de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A música foi responsável pelo fim de um bloqueio criativo sofrido pela artista plástica Anny Carvalho há dois anos. Ao ouvir repetidamente a canção "Stronger" interpretada pela cantora Kelly Clarkson, a paulistana formada em Artes Plásticas Visuais pela Universidade Estadual de Londrina se inspirou para criar sua nova série, intitulada "About me. For you". A coleção foi responsável pela inclusão do nome da pintora no livro "Arte Brasileira na Contemporaneidade", lançado na semana passada em São Paulo e que será publicado em Nova Iorque (EUA) no mês de maio.
O livro reúne 50 artistas brasileiros criteriosamente selecionados pela produtora cultural Carmen Pousada, que afirma ter usado a arte para decifrar, harmonizar e criar a possibilidade de expressão entre as várias vertentes culturais brasileiras e globais. "Esses artistas mostram onde o Brasil está em seu conceito", destaca. Publicada pela Editora Ornitorrinco, a obra terá parte da renda doada para o Instituto Arte de Viver Bem de Valéria Baraccat Gyy, que atende pacientes com câncer de mama e seus familiares.
Anny é a mais jovens entre os participantes destacados pela obra. "É muito importante para uma artista que ainda está iniciando a carreira participar de uma obra deste porte, ainda mais ao lado de nomes como Caciporé Torres, David Dalmau e Maramgoní, admirados profundamente por mim e reconhecidos dentro e fora do País", comemora.
A tela em reconhecimento no livro traz a inscrição "Its time to begin", inspirada pela canção "Its Time" (Imagine Dragons), foi criada com técnica mista e mede 60x80cm. "Estava morando em Londrina e passei por um período sem nenhuma inspiração para pintar no final de 2013. Até que coloquei a música 'Stronger' e ouvindo repetidamente a canção voltei a produzir. Achei o processo interessante e acabei dando início a essa série", afirma Anny.
Ela relata que sua nova coleção foi inspirada em um repertório bastante eclético que inclui Rolling Stones e Coldplay. "Às vezes coloco algum artista ou banda de que gosto e também músicas que ouvi pela primeira vez no carro ou em eventos sociais e que só fico sabendo quem canta após pesquisar na internet. É curioso porque fico envolvida apenas pela melodia pois não consigo traduzir as frases cantadas em inglês para o português. Ouço uma única música repetidas vezes enquanto estou pintando e só depois do quadro pronto é que vou buscar sua tradução. Então incluo trechos da canção no quadro. Às vezes essas referências ficam bem nítidas, e outras quase invisíveis", detalha.
Com apenas 26 anos de idade, Anny já teve várias conquistas profissionais. "Comecei a pintar quadros desde criança e trabalho profissionalmente desde 2008. Tive a sorte de expor meu trabalho pela primeira vez no Museu do Louvre em Paris", afirma a pintora, que em 2011 teve suas obras expostas no museu mais visitado do mundo após a marchand londrinense Ana Maria Barreto, da Galeria Bahiarte, reconhecer seu potencial e enviar suas obras para a comissão organizadora da mostra. Após o evento, Anny também participou de importantes exposições internacionais no Japão, Portugal e Estados Unidos.
Segundo a pintora, ainda é muito cedo para encontrar definições para o seu trabalho. "Tenho referências muito fortes do expressionismo abstrato, movimento surgido na Alemanha, na década de 1940. Utilizo uma técnica denominada 'action painting', que tem como principal característica a demonstração dos sentimentos do artista por meio da gestualidade dos traços marcantes e cores fortes e da escolha das cores. Meu desejo é tocar as pessoas de alguma forma com minha arte. É despertar nelas algum tipo de sentimento e inquietação", salienta.
Entre os sonhos da artista está a montagem de um ateliê em Londrina. "Estudei na UEL e tenho uma ligação muito forte com a cidade. Acho Londrina linda e com muita qualidade de vida. Além disso os moradores valorizam bastante a arte e com os contatos que tenho posso encaminhar daí minhas obras para diversas galerias. Pretendo realizar esse meu sonho até o final do ano e continuar vivendo de arte, que é uma meta que tenho desde a adolescência", revela.


