Fila de autógrafos do lançamento de Edibar em Portugal: personagem cativa fãs de todas as idades
Fila de autógrafos do lançamento de Edibar em Portugal: personagem cativa fãs de todas as idades | Foto: Arquivo pessoal

Foi o dramaturgo português Gil Vicente que eternizou a máxima "Ridendo castigat mores". A expressão em latim quer dizer que o riso é uma forma de criticar costumes reprováveis. Ora pois, rir é um santo remédio e não é de hoje que os portugueses descobriram isso. Mas foi recentemente que provaram o quanto admiram Edibar, personagem do cartunista paranaense Lucio Oliveira. Pelas redes sociais, Edibar caiu nas graças dos apreciadores de bandas desenhadas - é assim que os portugueses chamam as histórias em quadrinhos. "Eu também quis entender por que esse nome, então me explicaram que cada página é uma banda e as ilustrações a tornam desenhada. Daí, banda desenhada", conta o cartunista sorrindo.

Uma das provas da admiração dos lusos pelo Edibar foi o prestígio durante o 30º Festival de Banda Desenhada da Amadora, em Lisboa - lançamento de Edibar volume 1 e Edibar volume 2 - pela editora Polvo - , 80 páginas cada. Oliveira conta que atento aos fãs daquelas bandas, o editor Rui Brito apostou na publicação e o fator distribuição foi determinante também. "O sucesso foi tanto que os livros se esgotaram duas vezes". No formato capa dura, as edições luxo trazem, de modo organizado, as tiras de Edibar, sonho de consumo para os que curtem e, de modo improvisado, já colecionam. "Sim. Muita gente recorta do jornal e cola. Pelas redes sociais, fazem pastas e salvam as tiras", revela o criador. Em Portugal, cada livro custa 13 euros e a publicação é no português dos brasileiros. A má notícia é que não será distribuída no Brasil. "Na fila, todas as pessoas estavam com os dois para autografar, tirar foto e contar como é fã do Edibar", expõe.

A experiência superou todas as expectativas. "Acredito que esse sucesso seja porque os portugueses gostam muito das coisas do Brasil. O Edibar não quer ser herói e nem fala de política, faz o perfil daquele tiozão que gosta de cerveja e muitos se reconhecem". O artista torce para que ações culturais locais sirvam para inspirar jovens. "A arte tem esse poder e houve uma época em que eu dava aulas de desenho, havia turma de tarde, de noite, cada uma com 40 alunos e oportunidades assim servem até para tirar crianças da marginalidade", reflete.

Exposição com personagens de Lucio Oliveira em Portugal: ideia de criar o Edibar se deu durante uma missa
Exposição com personagens de Lucio Oliveira em Portugal: ideia de criar o Edibar se deu durante uma missa | Foto: Arquivo pessoal

A missa, os fiéis e Edibar

Autodidata, Lucio Oliveira tem 46 anos, é natural de Apucarana, tem três filhos e, além de cartunista, atua como ilustrador de obras didáticas. Considera que o cotidiano seja uma fonte constante para suas tiras - carregadas de humor escrachado. Foi em uma missa, no domingo de manhã, por acaso, que surgiu Edibar. "Parei de fazer charges por conta da conotação política e passei três anos estudando uma personagem. Durante a missa, um homem entrou pela porta lateral da paróquia, foi até o altar e acendeu o cigarro na vela. Na mesma tranquilidade, sem incomodar ninguém, saiu pela outra porta lateral sem que o padre sequer notasse a sua presença e toda a igreja caiu na risada com a cena. Daí pensei: está aí, pronto. É isso!"Junto com o tiozão barrigudo e boêmio, chegaram outras personagens como sua esposa, a Edimunda e a sogra Ana Conda.

Oliveira conta que já levou bronca de três sogras. "Uma queria me denunciar, mas conversamos e conquistei a leitora de vez". Com o sorriso de orelha orelha, comemora a simpatia de Edibar. Na Folha de Londrina, ele é publicado há 11 anos e também em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Com o passar dos anos, Edibar amadureceu. "Ele era machista. A mulher carregava a compra e ele só o fardo de cerveja. Agora, na volta do boteco, chega com chocolate, sorvete para não apanhar. Percebeu que o machismo é uma burrice e a mulher é essencial na vida de um homem. Eu mesmo não seria quem sou sem a Ana Gisele, minha esposa". Ana Gisele França é publicitária e responsável por assessorar e planejar as ações do cartunista reconhecido internacionalmente.

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Os dois volumes de Edibar lançados em Portugal
Os dois volumes de Edibar lançados em Portugal | Foto: Divulgação
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