Curitiba - Os cineastas paranaenses Rafael Urban e Terence Keller se preparam para a exibição de seu premiado curta-metragem "A que deve a honra da ilustre visita este simples marquês?" no quarto festival de cinema desde a estreia, em 22 de setembro. Após exibição em Brasília (onde ganharam três prêmios), Belo Horizonte e Londrina, o curta-metragem vai ao Recife (PE), para o Festival Janela de Cinema Internacional, que começou sexta-feira e termina dia 20.
No primeiro filme que produzem juntos, Urban, que é jornalista e trabalhou na FOLHA, e Keller trouxeram para o Paraná os prêmios de "Melhor filme pela crítica", "Melhor direção" e "Melhor filme pelo Canal Brasil", no 46º Festival de Brasília. Resultado de três anos de pesquisas, o filme de 25 minutos mostra a história de Max Conradt Jr., considerado pelos cineastas um "compulsivo colecionador", que é tanto o personagem como o ator da produção.
Conradt fala de algumas de suas coleções – de livros, revistas, quadros e até assinaturas – com a naturalidade de quem conversa com os amigos em sua sala de estar. Além de tratar de seus mimos organizados dentro da casa em que mora, em Curitiba, o homem não se intimida com a idade e conta, como se interpretasse, histórias que envolvem as obras que ele coleciona.
O título do filme faz menção às expressões usadas por esse senhor de 81 anos ao recepcionar os cineastas. As reverências, que, ao gosto de Conradt, mudavam em algumas palavras, eram feitas sempre em terceira pessoa. "A gente lida com o filme como se fosse uma visita à casa dele. O visitante é o público e ele é o marquês", explica Urban.
Inspiração
A saga rumo ao filme começou em 2007, quando Keller conheceu Max e suas coleções. Em 2008, após conversa com Keller, Urban fez uma reportagem para a FOLHA sobre o colecionador, e surgiu a ideia de fazer o filme. "Visitamos o Max durante três anos, durante 25 vezes, e selecionamos alguns temas que achamos interessantes", descreve Keller.
Considerado um grande colecionador de obras de paranaenses, assim como dono de um rico acervo sobre a história do Paraná, Conradt inspirou os diretores também por sua dedicação em manter um grande acervo de coleções. "O que mexe com a gente é o sentimento inesgotável dele. Para ele (o acervo) é um projeto de vida. Ele abriu mão de muita coisa para isso. Abriu mão por um sonho."
Keller teve um motivo mais pessoal para se envolver no projeto. O cineasta também já foi um colecionador na infância e adolescência. "Eu me identifiquei um pouco com o Max por causa dessa característica de organizar as coisas. Durante muito tempo a organização dos meus livros foi pela ordem do que eu tinha lido. Uma organização sentimental", diz ele, que já colecionou selos, pedras e revistas em quadrinhos.

Prêmios e exibições
Em Brasília, chamou atenção de Keller e Urban a curiosidade dos críticos, da imprensa e do público pelo curta-metragem, o que, antes da decisão dos jurados, deu aos dois a confiança em, ao menos, um prêmio. "Os jornalistas se interessaram muito. Foi surpreendente. Estávamos em uma entrevista coletiva com produtores de um longa-metragem e o natural é que eles recebessem mais atenção. Mas a gente falou muito", lembra Keller.
O que eles não esperavam era que o filme recebesse três prêmios no mais antigo festival de cinema do País. Um deles, concedido pelo Canal Brasil, garante a exibição do curta-metragem na emissora. "Os prêmios ajudam na carreira do filme. Nós já recebemos convites para outros festivais. O que queremos é que o filme seja visto", comenta Urban. Além de Recife, outros três festivais – que ainda não foram oficialmente lançados – convidaram os paranaenses para a exibição. E o filme deve ser exibido em Curitiba em novembro deste ano.
Com boas perspectivas, a única dúvida dos cineastas é quanto a um dos troféus. Com a maior seriedade, a dupla paranaense discute a melhor forma de, literalmente, dividir ao meio a estatueta. Porém, o receio de que o troféu seja danificado ainda impede a divisão. "A melhor opção é cortar, e fica bonito cortado", diz Urban. "Mas eu tenho medo que se cortar pode rachar", replica Keller, mantendo a indecisão.

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