Alternância de sons graves e agudos. Ora velozes, ora lentos. Uma união simétrica de ritmo, coreografia e figurino. Assim é o Taiko (pronuncia-se ''Taikô''), uma arte musical originária do Japão, há mais de dois mil anos.
O grupo londrinense Ishindaiko, composto por instrumentistas de taiko (tambor, em japonês), venceu o II Campeonato Brasileiro de Taiko - categoria livre, ocorrido no final de maio, em São Paulo. Permeada de muito lirismo, a música Fubuki, ou ''o vagar da neve ao sabor do vento'', durante cinco minutos despertou a atenção do juri que qualificou o grupo londrinense (com onze integrantes na ocasião) como campeão, entre outros 13 participantes da categoria.
De acordo com Silvio Muraguchi, coordenador do grupo Ishindaiko, ''ishin'' significa uma só alma, enquanto ''daiko'', tambor. ''Tambores de uma só alma, porque o taiko tocado em conjunto necessita de empenho da equipe e que todos compartilhem dos mesmos objetivos'', observou Muraguchi.
O grupo foi criado há um ano e meio e, com apenas seis meses de constituição, garantiu o quinto lugar no mesmo campeonato em que venceu, nesse ano, o primeiro lugar. ''Naquele período já foi motivo de muito orgulho. Esse ano esperávamos fazer uma boa apresentação, mas não aguardávamos o título de campeão'', declarou ele.
Uma vez por semana o grupo se reúne para os ensaios, e uma vez por mês, a professora Miyuki Hosoi vem especialmente do Japão para treinar novos repertórios com os 48 integrantes.
O Estado do Paraná conta com seis equipes de taiko já estruturadas e outras em fase de implantação.
Apesar de transparecer verdadeira identidade com o taiko, Muraguchi não sabe tocar o instrumento. ''Eu funciono como um moderador do grupo, além disso, acho que não tenho talento. Fico satisfeito só de ver os integrantes atuarem em palco'', finaliza Muraguchi.

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