Reciclando as brincadeiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de junho de 1997
Célia Polesel Londrina 
Dispor de tempo para participar do crescimento e do desenvolvimento dos filhos é um dos grandes desafios dos pais de hoje. Com uma vida cheia de compromissos fica difícil estar presente todo o tempo necessário para conhecer e saber dos problemas das crianças.
Preocupada com o pouco tempo que passava com suas filhas e não tendo muita paciência para brincar com os brinquedos convencionais, a londrinense Giselle Cristiane Soares Dellatorre começou, há cinco anos, a construir brinquedos de papelão. Tínhamos bastante caixas, então comecei a construir brinquedos alternativos com as meninas e para não esquecer com haviam sido feitos anotava tudo em um caderninho, explica.
Giselle percebeu que, com a construção dos brinquedos, passou a conhecer melhor suas filhas, suas expectativas, angústias, dificuldades e também onde precisavam de maior atenção para se desenvolverem melhor. Minhas filhas são mais calmas que muitas crianças da mesma idade e possuem grande auto-estima e criatividade, afirma.
Ela atribui isso ao fato dos brinquedos estimularem a imaginação e ajudarem no aprendizado. Além de exigirem, para sua construção, que a criança use seus conhecimentos de matemática, geometria, ainda melhoram a coordenação motora e também aumentam o poder de concentração, pois é necessário que se preste bastante atenção nos detalhes.
O livroA escola onde as filhas de Giselle estudam pediu que as crianças levassem um brinquedo construído pelos pais, suas filhas levaram um coelho no qual podiam entrar. Quando foi buscá-las na escola Giselle viu que os alunos haviam se organizado e formaram até uma fila para que todos pudessem brincar um pouco com o coelho.
Ela percebeu a necessidade que as crianças tinham de construir alguma coisa, então resolveu compartilhar com outros pais e crianças os brinquedos que construiu com suas filhas. Assim nasceu O Mundo do Papelão livro onde ensina passo a passo como fazer seis brinquedos.
Meu principal objetivo é que os pais consigam passar um tempo maior com os filhos e que também possam conhecê-los melhor. Porque na construção de um pequeno brinquedo você pode muitas vezes perceber como seu filho está carente ou deficente em determinada área do aprendizado ressalta.
Giselle acredita que construindo os brinquedos as crianças aumentam sua auto-estima tornando-se mais confiantes, criativas, atenciosas e aprendendo com mais facilidade.
No livro ela explica como cortar, pintar e montar um coelho, um cachorro, um helicóptero, um foguete, uma máquina de escrever e uma casinha de cachorro. O melhor é que os brinquedos são feitos com material reciclado, ao mesmo tempo que a criança se exercita ela aprende a preservar a natureza além de melhorar o relacionamento com os pais.
Giselle ressalta que os pais não precisam se preocupar em ter que guardar tantos brinquedos, pois quando as crianças cansam basta jogá-los no lixo. E se elas quiserem aquele modelo novamente é só construí-lo com novas caixas.
Além do livro, Giselle também vai até as escolas para ensinar às crianças como montar os brinquedos e conta que muitas delas trazem novas propostas para a construção de outros modelos mostrando que quando incentivadas as crianças têm muita criatividade.
O livro também pode ser um grande aliado dos professores estimulando e aumentando o interesse dos alunos que através da montagem dos brinquedos exercitam os conhecimentos adquiridos e a criatividade.
Segundo Giselle toda criança tem capacidade de criar, basta apenas, nós pais, desenvolvermos essa capacidade dando-lhes oportunidade de exercitá-la para que no futuro essa criança seja um adulto feliz.
O Mundo do Papelão, a venda em todas as livrarias de Londrina, 36 pág., R$ 4,00.


