Garrafas PET que se transformam na cabeça de lindos cavalinhos feitos com cabos de vassoura, flores coloridas que enfeitam o jardim e suportes individuais para pasta e escova de dente. Na aula de artes, personagens dos contos de fadas ganham vida a partir de sucatas e na hora da recreação, brinquedos da cultura popular - como o vai-e-vem e o pé na lata -, também feitos com garrafas plásticas, suportes de fita adesiva e latas, fazem a diversão da criançada.
Como um projeto permanente, há oito anos a Escola ATS - A Turma do Snoopy vem trabalhando de forma mais dirigida a utilização de sucatas na sua proposta pedagógica. Como uma forma de trabalhar conceitos ecológicos e também estimular a criatividade das crianças, o projeto vem conquistando os alunos, principalmente nas aulas de artes, em que aprendem a confeccionar com sucatas os personagens das histórias que bimestralmente estudam na sala de aula.
''Valorizamos os contos de fadas, dentro de um enfoque psicanalítico, como uma forma de trabalhar os sentimentos das crianças, principalmente os medos. É a possibilidade de fazerem uma catarse; verbalizar e canalizar o que sentem'', explica a diretora Márcia Storto. ''Junto a esse trabalho, decidimos atrelar a utilização da sucata pela demanda ecológica e também para trabalhar o conceito do não consumismo; uma forma de estimular a criança a construir o seu próprio brinquedo, dando um novo significado a ele'', complementa.
O resultado desse trabalho pode ser conferido pelos pais na Mostra Projetar, realizada no segundo semestre, onde são expostos os personagens e cenários de histórias feitos com sucata, além de outros projetos desenvolvidos pela instituição.
Atualmente uma das turmas do ensino infantil está confeccionando a princesa Fiona, personagem do livro ''Shrek'', de William Steig, que inspirou o filme homônimo. Construída com garrafas plásticas de leite, bolinha de plástico e retalhos de TNT, cada versão da personagem vai ganhando um toque diferente de personalidade e os alunos não escondem a satisfação pelo resultado final. ''É interessante todo esse processo de dar um novo significado a um objeto até então descartável. Eles levam para casa os seus personagens e muitas vezes esses brinquedos são mais valorizados do que aqueles comprados'', afirma Márcia.
O trabalho com sucatas já virou marca registrada da escola e é comum os pais espontaneamente contribuírem com a doação de materiais. Como o pai de um dos alunos que é engenheiro e frequentemente doa potes de papel de massa corrida que já serviram como base para a confecção de um boliche gigante e até um castelo da Rapunzel.
O trabalho com as brincadeiras populares, cantigas de roda e folclore também é valorizado. ''A maioria dos nossos alunos mora em prédio e acho importante eles terem contato com esse tipo de informação. É preciso que tenham essa vivência, que brinquem na terra, andem descalços e o Ecocanto é o espaço que destinamos para isso'', informa a diretora. Com pés de frutas, algumas hortaliças, balanço de roda e pinturas na parede feitas pelos alunos, é um dos espaços preferidos das crianças.

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