Com expectativa de atingir os mesmos índices de audiência do primeiro programa, Globo exibe a partir de hoje a segunda versão ‘‘No Limite 2’’. Cenário escolhido foi a Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso
O programa ‘‘No Limite’’ ganhou uma segunda versão mais cedo do que se esperava. Em agosto do ano passado, quando a primeira versão foi ao ar, a Globo cogitou de lançar um ‘‘No Limite’’ por ano. Quatro meses depois, a emissora estréia a segunda versão hoje, logo após o ‘‘Fantástico’’. A pressa da Globo em reeditar o programa tem razão de ser. ‘‘No Limite’’ foi um dos maiores sucessos de audiência da tevê brasileira no ano passado. A expectativa era de registrar os mesmos 35 pontos do ‘‘Fantástico’’. A gincana, porém, alcançou uma média de 48 pontos, com picos de 59. ‘‘Estamos fazendo um programa nos moldes do primeiro. Só não queremos que o final seja novamente revelado pela imprensa’’, enfatiza o novo diretor do programa, Fernando Gueiros.
Foi justamente por causa do ‘‘vazamento de informação’’ que boa parte da equipe da produção original foi substituída. A começar pelo diretor da primeira versão de ‘‘No Limite’’, Boninho. A alta cúpula da emissora não ficou nada satisfeita com o fato de um jornal carioca ter divulgado antecipadamente o nome da vencedora. Mas a exemplo do que acontece nas novelas, a divulgação antecipada do final não interferiu nos números do Ibope. As semelhanças entre os dois gêneros, aliás, são inúmeras. O burburinho que o público fazia nas ruas sobre o episódio da semana, por exemplo, não ficava nada a dever ao de novelas como ‘‘Laços de Família’’. ‘‘O programa é uma obra completamente aberta. Não dá para prever o que vai acontecer durante a competição’’, analisa Zeca.
A audiência no ingrato horário dominical das 23 horas não foi o único recorde alcançado por ‘‘No Limite’’. O orçamento da produção está avaliado em torno de R$ 2 milhões. Ou seja: R$ 250 mil por episódio, R$ 30 mil a mais que o valor gasto por cada capítulo da minissérie ‘‘A Muralha’’. Com parte deste orçamento, a Globo montou uma verdadeira emissora de tevê no município da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Desde o início do ano, a emissora já disponibilizou cerca de 100 contratados, entre cinegrafistas, técnicos e engenheiros. Isso sem falar que terceirizou os serviços de 50 profissionais, como médicos, enfermeiros e bombeiros. Todos eles, sem exceção, foram obrigados a assinar um contrato que prevê punições a quem revelar detalhes da competição. ‘‘A equipe de produção vai ser toda espionada. Além disso, vamos implantar ‘chips’ no cérebro de cada um deles’’, brinca o apresentador Zeca Camargo.
O município da Chapada dos Guimarães, segundo Fernando Gueiros, foi escolhido por ser de difícil acesso. De um lado, imponentes paredões montanhosos. De outro, uma represa hidrelétrica com cerca de 300 metros de largura. Os 500 km2 que compõem o cenário de ‘‘No Limite’’ estão repletos de vegetação de cerrado, animais peçonhentos e numerosos riachos. O diretor faz mistério sobre as provas que os 12 novos candidatos vão ter pela frente. ‘‘Algumas delas vão ser aquáticas. Outras, realizadas a grandes alturas. Elas vão ser muito mais arriscadas que as anteriores’’, compara.
Quem corre risco também é a Globo, ao investir numa segunda versão de ‘‘No Limite’’. A hipótese de não se repetir o sucesso da primeira versão não é tão absurda assim. Foi o que aconteceu com ‘‘Big Brother’’, programa ianque que inspirou ‘‘No Limite’’. Na estréia, ele foi assistido por 22,4 milhões de norte-americanos. Este número caiu para 11,6 e 8,9 milhões nas edições seguintes. Para evitar que o mesmo aconteça em ‘‘No Limite’’, a Globo alardeou regras mais severas e provas mais difíceis para os 12 candidatos a sucessor de Elaine, a rechonchuda vencedora do primeiro programa.
Além disso, Zeca brinca ao dizer que os olhos de cabra servidos na primeira versão vão parecer iguaria perto do que vem pela frente. Como se não bastasse o mísero kit de alimentação, que prevê uma nutrição de 600 calorias por dia, distribuído a cada participante, eles vão poder usufruir da vasta fauna do cerrado mato-grossense, que inclui peixes, calangos e capivaras. ‘‘Estamos preparando um banquete ainda mais indigesto para os novos participantes’’, atiça o apresentador.

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