Receita requentada
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quarta-feira, 20 de abril de 2016
Rodrigo Salem<br>Folhapress 
Los Angeles - Quando "Branca de Neve e o Caçador" rendeu US$ 400 milhões há quatro anos, uma sequência parecia inevitável. Mas havia um problema. A própria Branca de Neve, a atriz Kristen Stewart, não voltaria ao papel, principalmente depois de ter sido flagrada aos beijos com o diretor do filme, Rupert Sanders, que, na época, era casado com a modelo Liberty Ross.
O estúdio não arriscaria uma continuação de US$ 115 milhões com tanta fofoca por trás, e a própria Kristen entrou em um ritmo de filmes independentes. Então como ter uma sequência de "Branca de Neve e o Caçador" sem a Branca de Neve? Com o caçador, claro.
"O Caçador e a Rainha do Gelo" entra na nova categoria da moda em Hollywood: as "requels", apelido dado pela publicação da indústria cinematográfica "The Hollywood Reporter".
Significa um amálgama de refilmagem (reboot em inglês) e sequência (sequel em inglês), filmes caríssimos que fingem ser continuações, mas, na verdade, são um novo ponto de partida para uma pretensa franquia.
Entre os "requels" mais famosos estão "Batman vs Superman: A Origem da Justiça", "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" e "Star Wars - O Despertar da Força". E não para por aí. Somente neste ano o cinema verá a volta de "Independence Day", "Caça-Fantasmas" e do mundo de Harry Potter ("Animais Fantásticos e Onde Habitam").
Já "O Caçador e a Rainha do Gelo" conta a história de Eric (Chris Hemsworth), homem que, no original, ajudou Branca de Neve a derrotar a rainha má Ravenna (Charlize Theron). Na primeira metade do filme, descobrimos que ele foi criado pela irmã de Ravenna, Freya (Emily Blunt), uma rainha com poderes de criar gelo e congelar inimigos depois de uma tragédia. Em seguida, o filme vira uma sequência na qual aprendemos que Ravenna não está morta e o Caçador possui uma mulher (Jessica Chastain). Juntos, eles precisam derrotar as duas nobres obcecadas pelo espelho falante.
Confuso? "Quando o longa começa ele é basicamente um filme de origem", explica a atriz Emily Blunt à reportagem. "Então, conhecemos o passado do Caçador que ninguém conhecia. Em certo momento, aparece o texto dizendo 'sete anos depois' e vamos para o mundo das sequências. É uma estrutura realmente incomum para um filme, mas, ao mesmo tempo, tem grande impacto porque você acompanha a história de uma vida inteira desses personagens."
Branca de Neve aparece em flashbacks pincelados do longa anterior e em menções que tentam explicar sua ausência, mas o roteiro se concentra na nova dupla feminina e neste novo Caçador, mais bem humorado que no original. "Contos de fadas possuem várias versões ao longo das décadas. Não vejo nada demais em mudanças", conta Blunt. "Gosto deste tipo de mundo fantástico que nos permite ir além das nossas imaginações e oferece um espetáculo ao público."


