Ah, vá! Não venha dizer que ainda não foi apresentado para a patroa da Edicreuza! Pode ser que não esteja ligando o nome à pessoa, mas é só circular pelos corredores de qualquer shopping para topar com ela em pessoa, delineador, cílios postiços e uma bolsa Birkin.
Socialites, dondocas e agora também presidiárias - ops, abafa o caso - o fato é que de aspirantes sociais o mundo está cheio. Para esses, que acendem uma vela todo dia para que a ''santa grife'' os mantenha no topo da moda, perder o status e uma Edicreuza é praticamente a morte.
Pois é, Edicreuza não faz parte dessa ''catigoria'' de ricos e famosos, mas de tanto ficar colada nas patroas também está tendo os seus dias de fama. Na verdade, quem está fazendo sucesso mesmo é o ator maringaense Fábio Moraes, que interpreta a empregada e outros tantos personagens no espetáculo ''A Vida É Uma Comédia''. Em cartaz há mais de um ano, Morais já foi visto por um público de 100 mil pessoas. A direção é do humorista global Marcos Winberg, do ''Zorra Total''.
Ele já se apresentou em várias capitais do Nordeste, como Maceió (CE), A Meca do humor do País, além de Recife (PE) e Salvador (BA). São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG) também estão no roteiro do comediante, que no espetáculo apresenta outros personagens como Kiko. O rapaz é filho de Edicreuza. Formado em Direito, ele não passou no exame da OAB e virou malabarista de sinaleiro. Dimirso, caçula de Edicreuza, é um gaguinho que sonha em ser locutor de rodeio.
O criador de todos esses personagens tem 33 anos e já trabalhou em Londrina como professor de cursinho. Moraes diz que busca inspiração nas pessoas simples. ''As pessoas mais pobres têm um vocabulário, uma espécie de dialeto próprio. Mas também tenho personagens como a socialite. Totalmente quebrada financeiramente, ela não fica sem as suas roupas de grife de jeito nenhum e diz que mulher rica não anda sozinha. Os solitários têm ideias e pensam muito'', conta o humorista, que ainda faz rir com um repertório de assuntos, como a política e economia.
Moares pegou a onda do gênero stand-up, um filão que, na opinião do ator, está revelando novos talentos.''Tem muitos atores bons, como o próprio Diogo Portugal, no Paraná, que não conseguiam mostrar o trabalho e provar que não é somente o pessoal da televisão que sabe fazer humor. Saímos da casca do ovo'', comenta.
Talento e um pouco de sorte estão por trás da carreira curta do maringaense, que acredita estar experimentando o sucesso num prazo que não esperava. ''Sou um cara de sorte. Conheci o Marcos Winberg no Orkut. Ele viu uma foto da Edicreuza no site de relacionamentos e brincou, dizendo que todo ator que faz mulher é gay. Eu disse que não estava nem aí. Mostrei meus textos, ele gostou e quis me dirigir. Fui para o Rio de Janeiro, ensaiava na casa dele. Hoje, ele é padrinho do meu filho. Antes de começar a trabalhar com o Marcos, ele esteve em Londrina com a peça ''Diálogo do Pênis'', em 2007. Ele deu uma chance para eu abrir a apresentação do espetáculo. Fui aplaudido em cena aberta'', lembra Moraes.
A proximidade com um artista global faz o maringaense sonhar com uma escalação para humorísticos da emissora. Ele conta que já esteve algumas vezes no Projac e chegou a ser apresentado ao diretor do ''Zorra Total'', Maurício Sherman. ''Porém, o processo é lento. Levei dois personagens para eles, a Edicreuza e o Kiko'', conta Moraes, que está criando outros dois tipos, um bicheiro e um caminhoneiro, que estarão em seu novo espetáculo.

mockup