Receita caipira para todos os gostos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de março de 2003
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Que tal juntar letras de música sertaneja, daquelas modinhas caipiras antigas, porém nunca esquecidas; com cifrado para viola e violão, no ponto para ser usado; história da música, com destaque, é claro, para a folclórica brasileira; curiosidades sobre as personalidades que deixaram sua marca no mundo caipira e ainda um pequeno dicionário com termos regionais típicos, que vem adrede (de caso pensado, de propósito) no apreparo (aprontar, arranjar) de um livro. Pois isso acontece com ''Memórias Sertanejas'', feito sob medida para agradar. A formulação dessa receita, com sabor bem regional, vem sendo desenvolvida há dois anos pelo londrinense Renê Faria Filho, formado em Ciências Contábeis pela UEL e com pós-graduação em finanças pela FGV, mas, acima de tudo, violeiro de coração. O próximo passo é conseguir um patrocínio, com base na lei de incentivos do Ministério da Cultura, para rodar 2 mil exemplares da obra, que Renê pretende distribuir em bibliotecas e escolas públicas, além de universidades, visando difundir a música brasileira de raiz para crianças, jovens e apreciadores de moda de viola de qualquer idade.
Hoje, conforme observa o autor de ''Memórias Sertanejas'', o mercado musical cede bastante espaço para o gênero. Contudo, as novas canções vêm e passam. ''As de raiz não seguem o mesmo percurso'', afirma. ''Uma roda de viola, em qualquer lugar que se forme, começa com as músicas da moda, mas logo se volta para as antigas, as eternas, das quais ninguém esquece''. Entre os 100 clássicos sertanejos que Renê resgatou para o livro, destacam-se ''verdadeiras preciosidades'', como ''Amargurado'', ''O Menino da Porteira'' ou ainda ''Cabocla Tereza'', que traça, à moda caipira, o retrato trágico de um adultério. Mas há também ''Viola Quebrada'', modinha datada de 1925, que teve seu ''revival'' de fama ao ser incluída na trilha da novela ''Esperança'', veiculada no ano passado pela Rede Globo. Outra que voltou à moda é ''Merceditas'', um rasqueado de influências paraguaias também presente no livro. Gravada por Gal Costa, participa da trilha sonora de ''A Casa das Sete Mulheres'', minissérie da Globo.
Como uma modinha caipira exige o acompanhamento plangente de um violão ou de uma viola, Renê não esqueceu de passar o conhecimento básico sobre os instrumentos para quem está apenas se iniciando na arte. ''Memórias Sertanejas'' traz desde uma explicação detalhada do cifrado universal - a representação gráfica de acordes e notas musicais para viola e violão; aos símbolos que indicam ritmos e movimentação das mãos; até a forma como afinar os instrumentos. Nesse sentido, como curiosidade, vale saber que na falta do diapasão - pequeno instrumento de sopro que emite o som da nota Lá -, pode-se utilizar o ruído do telefone ao ser retirado do gancho - aquele TUUUUU... -, que, quem diria, tem o mesmo tom.
Entusiasmado com o projeto e animado a fazer de ''Memórias Sertanejas'' uma coleção com mais três volumes, Renê orgulha-se de estar trabalhando com uma matéria-prima ''genuinamente brasileira'', que representa ''fielmente os modos e os costumes do meio rural''. Melhor do que isso, diz ele, ''só mesmo reunir os amigos numa roda de viola e, por um momento fora do tempo, compartilhar a arte da música''.
Serviço:
Interessados em conhecer a obra ''Memórias Sertanejas'', para eventual patrocínio, podem contatar o autor pelo telefone: (43) 3325-3929


