Em Londrina, estima-se que cada um dos seus 506 mil habitantes produza 800g de lixo por dia. Na cidade, são descartados, diariamente, cerca de 370 toneladas de resíduos. No Brasil, este número salta para 230 mil toneladas. E no mundo então? São 400 milhões de toneladas. O lixo é problema aqui e em qualquer lugar do planeta. E a cada ano que se passa, esse volume aumenta consideravelmente.
Em contraponto a isso, alunos de escolas públicas de Londrina estão aprendendo a dar nova vida aos recicláveis, aumentando a vida útil destes materiais e evitando lançar no meio ambiente o que pode ser reutilizado.
E o que é mais importante, eles se tornam disseminadores do conceito de reutilização e reciclagem de materiais e contribuem para a redução dos impactos do lixo ao meio ambiente e para a correta exploração de recursos naturais.
A ideia surgiu na Escola Estadual Albino Feijó Sanches, no Parque das Indústrias (Região Sul) e na Escola Municipal Sônia Parreira Debei, no Residencial do Café (Região Norte). Em ambos os casos, os projetos culminaram em um grande desfile de moda: as escolas transformaram o lixo em roupas e bolsas.
No Albino Feijó, os alunos da 3 série do curso Técnico Integrado em Meio Ambiente produziram roupas e acessórios com materiais recicláveis para as disciplinas de Arte e de Língua Inglesa. O desfile foi bilíngue e teve toda a escola como público. Os alunos foram divididos em grupos e cada um ficou com um estilo ou época da moda.
Com o tema dos anos 1980 e seu colorido característico, a modelo de um dos grupos usava saia de cós alto feita de jornal e cinto de chapa de raio-x. O collant unia retalhos de tecidos coloridos. O segundo modelito do grupo dava novo uso à polêmica sacola plástica, que servia ali como material para compor a saia. O top de caixa de leite longa vida completou o look.
A sacola plástica também virou top para o modelo dos anos 1950 e enchimento para a saia de bolinhas acinturada. Nos moldes praianos, o maiô veio de retalhos de tecido e a pulseira de sementes e latas de refrigerante. No modelo masculino, sacos plásticos compuseram a bermuda, e a camisa tinha estampa bem natural: folhas de árvores secas.
A moda contemporânea é bem versátil. A estampa da camiseta do rapaz feita com recortes de revista podia ser removida para enfeitar outra camiseta. O colete era bem sugestivo: o símbolo de ''reciclável'' ocupava a parte das costas. A saia da outra modelo era feita de fuxicos de retalhos de tecido.
Outro dos grupos usou a moda global como tema para o desfile da moda ''camp'', que, segundo os alunos, nem chegou ao Brasil ainda e tenta ''desconectar'' estampas, usando, por exemplo, listras e xadrez no mesmo visual.
Os acessórios chamam a atenção: a modelo utilizava, além de várias estampas diferentes, um arquinho feito de isopor em formato de melancia na cabeça.
O processo de criação foi digno do mundo fashion profissional: os alunos realizaram pesquisa da época ou do estilo e de materiais e fizeram primeiro o croquí do modelo, contam os professores.

mockup