No clássico do cinema, o personagem Floyd, desabituado dos vôos espaciais depois de algum tempo ‘‘ancorado’’ na Terra, lê com atenção, no vôo para a base lunar americana, as instruções para o uso do banheiro na gravidade zero – algo tão distante das cogitações que a ficção não se atreveu a explorar em detalhes. Tito, ‘‘embaixador’’ no espaço dos homens ordinários, fez o primeiro relato sobre como é o ‘‘mareio orbital’’, o enjôo experimentado quando a gravidade terrestre pára de agir sobre o corpo.
Sangue, suor e os demais fluidos corpóreos, normalmente atraídos para ‘‘baixo’’, ‘‘sobem’’ sem oposição para a cabeça; tenderiam a voltar e estabilizar-se, mas ficam presos pelo colarinho justo do traje espacial; o resultado é uma incômoda pressão. Isso, nenhum astronauta profissional jamais descreveu em uma entrevista.
A estação Alpha, empreendimento que mobiliza 16 países – inclusive o Brasil – e com custo avaliado em US$ 100 bilhões, é o primeiro passo da realidade ao encontro da ficção. Deve estar pronta em 2004, quando a Nasa estará mirando o próximo alvo da aventura espacial – mais modesto que Júpiter, destino da missão que domina a parte final de 2001, mas adiante da Lua, onde o homem só chegaria no ano seguinte ao lançamento do filme. Levar homens a Marte é a meta que a agência americana planeja atingir nos próximos 20 anos – ou menos, como sonhou, por esses dias, o diretor da Nasa, Daniel Goldin, ao comemorar 40 anos do primeiro vôo espacial tripulado americano. (S.Q.)

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