Realidade e ficção em debate
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quarta-feira, 09 de setembro de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Loca 
As fronteiras que separam a ficção da realidade em romances policiais serão debatidas hoje pelo poeta, compositor, tradutor e jornalista Rodrigo Garcia Lopes. Destaque da programação do Festival Literário de Londrina (Londrix), o escritor londrinense conversará com o público sobre o processo de escrita de "O Trovador" (Editora Record, 2014), que marcou sua estreia do gênero e no qual para desvendar um crime vale-se de personagens ficcionais e históricos como o político Winston Churchill e Adam Blake, pseudônimo usado pelo escritor britânico Mike Carey. O encontro acontece às 20 horas, no Centro Cultural Sesi/AML, com entrada gratuita.
Durante o debate, intitulado "Romance policial: entre a história e a realidade", Lopes falará sobre sua obra, que tem como cenário Londrina ainda na época da colonização da cidade. "'O Trovador' usa personalidades reais e pessoas que existiram para a trama, embaralha fatos históricos com imaginários, parodia o discurso colonialista e nacionalista, a fim de propor uma releitura da história oficial. O detetive (um escocês no Brasil) vai juntar informações, montar o quebra-cabeça, fazer a recuperação do passado recente da cidade, da colonização e dos interesses envolvidos, e neste sentido ele age também um pouco como historiador. Por outro lado, é bom lembrar que toda escrita histórica é uma construção, é um texto que não está livre da interpretação, é fruto de uma seleção, de escolhas, fruto de um contexto histórico, social", ressalta.
O escritor destaca que além da trama ser bastante complexa, enfrentou grandes desafios para fazer a reconstituição de época e histórica com o cuidado de incluir detalhes que fossem relevantes, sem ser didático. "Estrava relendo ontem um livro que a grande P. D. James escreveu sobre romance policial e ela escreve: 'O romance de detetive histórico é um dos mais difíceis de escrever bem, exigindo sensível identificação com o passado, a capacidade de trazê-lo à vida com vibração e pesquisa meticulosa'. Foi isso que pretendi alcançar", diz.
Apesar dos cuidados com fatos históricos, Lopes afirma não achar importante situar o leitor sobre o que é ficção e o que é realidade na obra. "Esse é um dos prazeres do gênero. O romance policial é sempre um jogo e do qual o leitor tem participação ativa na solução do mistério. Diria que 50% do que está ali é fato e 50%, ficção. Há coisas que o leitor poderá pensar que é ficção, quando é fato, e vice-versa. Usei tudo o que contribuísse para a trama, para a autenticidade da reconstituição de época, mas deixo claro que é uma ficção", salienta.
Lopes afirma que com "O Trovador" quis mostrar que mesmo em um romance policial é possível levantar reflexões históricas e questões sociais, morais e de identidade, temas como corrupção, relações internacionais, colonialismo, propondo, ao mesmo tempo, uma reescrita da história. "O desafio era conseguir fundir a história de mistério com a colonização de Londrina ao mesmo tempo. É interessante apontar que o romance tem uma trama paralela importante, que remonta ao tempo dos trovadores, à idade média. O Trovador tenta refletir as contradições e tensões daquele momento histórico, quando a Europa se encaminhava para mais uma guerra. Ele atravessa temas como filologia, questões sociais e de identidade, e traz à tona um capítulo pouco conhecido da História brasileira. Que eu saiba, é o primeiro romance policial que tem como pano de fundo a aventura da colonização no norte do Paraná, especificamente Londrina e Rolândia", enfatiza.
Serviço:
Debate "Romance policial: entre a história e a realidade", com Rodrigo Garcia Lopes
Quando Hoje, às 20 horas
Onde - Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130)
Quanto - Entrada gratuita



