R&b pasteurizado
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quarta-feira, 05 de julho de 2000
Nelson Sato de Londrina 
Se há um gênero que mais emplacou cantoras nas paradas norte-americanas ao longo da década, este é o r&b. Dúzias delas saltaram do anonimato para o estrelato, quase sempre infestando as FMs com sussurros vocais e arranjos melosos.
Se você estiver ouvindo nesse momento He Wasnt Man Enough, deve saber do que estamos falando. A música é o hit de The Heat (BMG), novo álbum da cantora Toni Braxton, uma das cotadas para se apresentar no Brasil durante o festival Rock in Rio, em janeiro de 2001.
Toni foi uma das divas bem-sucedidas do período. Não só comprou uma mansão com a venda dos 13 milhões de cópias de seu disco anterior, Secrets, como decorou a sala da casa com cinco trofeús Grammy. Mas, ambiciosa, arriscou o prestígio encarando os palcos da Broadway no papel de bela no musical A Bela e a Fera, que ficou vários meses em cartaz em 98.
Foi tão bem que já vai embarcar em outra empreitada como atriz, desta vez no cinema. O debut será o filme Kingdom Come (título provisório), dirigido por Doug McHenry com participação no elenco de Whoopi Goldberg e L.L.Cool J. Enquanto isso, seu novo disco tenta repetir o feito do anterior com a cantora assinando oito das doze canções do repertório, que traz uma mãozinha aqui do produtor BabyFace e vozinhas ali do rapper Dr.Dre e de Lisa LeftEye López (do grupo TLC).
A própria Braxton produz cinco faixas e ainda toca teclados em Speaking in Longues. Esforço inútil. O disco é desanimador, revelando a pasteurização do rhythm and blues, que já foi selvagem e hoje sucumbe às vozes femininas domesticadas.


