Razões para rir
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segunda-feira, 23 de maio de 2016
Caroline Borges<br>TV Press 
Ingrid Guimarães sempre esteve bastante relacionada ao universo feminino ao longo de seus trabalhos na tevê, como "Sob Nova Direção", da Globo, e "Além da Conta", do GNT. Atualmente no elenco da segunda temporada de "Chapa Quente", a humorista finalmente conquistou uma das personagens que sempre desejou interpretar. Na pele da forte Marlene, ela deixa para trás os papéis de mulheres atrapalhadas, mas sem abandonar a pegada popular que a consagrou na televisão. "É uma personagem ótima. Apesar de ser uma mulher popular, é a heroína da história. Antes, eu sempre era a maluca ou a atrapalhada em busca do amor", reflete.
Natural de Goiânia, em Goiás, Ingrid colecionou projetos tímidos na tevê antes de ganhar repercussão com "Escolinha do Professor Raimundo", em 2001, como a modelo Leandra Borges. A personagem, inclusive, foi ressuscitada no "Fantástico", em 2008, nos quadros "As Super Dicas de Moda de Leandra Borges" e "A Dois Quilos do Verão". Porém, foi por meio da parceria com Heloísa Périssé que a humorista conquistou seu projeto mais sólido na Globo, o "Sob Nova Direção", que ficou no ar entre os anos de 2004 e 2007. "Sou uma atriz que veio do teatro e jamais vou esquecer isso. Tenho muitos bons trabalhos na comédia. Não importa se será drama ou humor. Sempre estou em busca de bons papéis", pontua.
P Antes do fim da primeira temporada, "Chapa Quente" já estava confirmado na grade deste ano. Como foi a repercussão da Marlene entre o público?
R Por ela ser bem popular, o público se identificou rápido. É uma personagem muito feminista, mas, mesmo assim, ela tem aquela aceitação louca pelo marido. Mas não depende desse amor para nada. O público gosta dessa relação familiar com o Genésio. Agora, o filho e a chegada do pai são pontos bem identificáveis para os brasileiros. Nesta temporada, o enredo dela ficou bastante novelístico.
P Como assim?
R Ela tem a história do filho e um pai que reaparece 40 anos depois em busca de reconstruir uma relação que nunca existiu. Só que a Marlene é uma mulher muito forte e não aceita o pai de início. É uma grande trama com o Marcos Caruso, que vive o meu pai na ficção. Além disso, tem o relacionamento dela com o Genésio (Leandro Hassum), que fica estremecido pela chegada da Celma (Thalita Carauta)
P Na segunda temporada, "Chapa Quente" passou por algumas mudanças estéticas e de conteúdo. Como foi essa discussão entre o elenco, autores e direção?
R No início do ano, o Cláudio Paiva (autor) chamou um por um e explicou as mudanças dos personagens. O mais legal do programa é que todas as alterações são passadas para a gente. Conversamos muito. O Cláudio acompanha as gravações. É uma série feita em conjunto. Se for por questão de convivência, é um programa que pode ficar no ar por anos.
P Por quê?
R Todo o elenco tem mais ou menos a mesma história, vem do teatro, faz show e peças. É um elenco muito sem vaidades ou estrelismo.
P E quais foram as principais mudanças no perfil da Marlene nessa nova leva de episódios?
R A Marlene é muito independente, dona das coisas dela e resolve a vida sozinha. A entrada da Celma é exatamente para tirá-la do eixo. Só uma maluca pode enlouquecer uma mulher forte. Além disso, intensificamos as relações do salão. O público gosta dessa ideia dos amigos que viram família.
P Como foi seu trabalho de composição para interpretar a Marlene?
R Fomos até São Gonçalo e ficamos o dia inteiro lá. Passeamos por vários salões. Conheço muita gente de São Gonçalo que trabalha comigo e fico perguntando coisas. As mulheres de lá são muito vaidosas. Ser loura, por exemplo, é quase um carimbo. Elas estão sempre com cabelão, relógios e bolsas grandes.
P Ao longo da sua carreira, você conta com diversos trabalhos voltados para o público feminino. Como se deu esse envolvimento com as mulheres na televisão?
R A minha geração de humor marcou uma mudança de estética e de conteúdo. Nomes como o meu, Heloísa Périssé e Mônica Martelli marcaram transformações. Antes, a mulher era feia ou gostosa. Trouxemos a mulher para um papel mais real. O público feminino sempre fez parte da minha carreira. As mulheres que interpreto no cinema são muito modernas. Sempre sou chamada para esses papéis. Faço muita coisa no GNT que tem um público feminino muito forte.
P Sua última novela foi "Sangue Bom", de 2013. Você tem vontade de voltar aos folhetins?
R Tenho muita. Mas, ao longo da minha carreira, fiz poucas novelas porque os programas me requisitam muito na emissora. Além disso, esse esquema de temporada é muito bom para quem faz cinema.
P Você consegue ter mais domínio da sua agenda fora da tevê estando em produções menores na Globo?
R Tenho mais liberdade para me dedicar aos projetos fora da televisão. Entre uma temporada e outra, posso filmar um longa sem preocupações e, depois, voltar para a tevê.


