Paloma Duarte mostra com um sorriso largo que está encantada com a história de Lauro César Muniz. Tanto que chega a defender a relação passional de sua personagem Fernanda com o agressivo Bruno, de Marcelo Serrado, em Poder Paralelo, da Record. A atriz vê com naturalidade a relação de amor e ódio entre sua personagem e seu amante. Mesmo nas situações mais extremas, quando chega a levar uns tapas do empresário e continua fascinada por ele. Mas Paloma acredita apenas que esteja levando ao ar uma questão bastante conhecida por algumas mulheres, a violência doméstica. ''A droga dela é a emoção. Essa paixão pelo Bruno a faz inconsequente. Não é que eu defenda ou aceite. Eu simplesmente acho que essa é a história dela. Ela tem o ódio e o amor com a mesma intensidade, com a mesma entrega'', justifica.


Sua personagem, a Fernanda Lira, tem um comportamento bastante passional. Além de ser amante do Bruno, chega a apanhar dele. Como você analisa esse personagem?

Ela é uma mulher que gosta de viver e a droga dela é a emoção. Não é um personagem linear. É extremamente apaixonada pelo Bruno e chega a ser inconsequente por conta desse amor. Se ela fosse ''a malvadinha'' ou ''a boazinha'' seria muito mais fácil de fazer. Mas ela tem todos os sentimentos.

Na vida real, aceitaria um problema como esse?

Não vou dizer que eu não aceitaria uma situação como a da Fernanda um dia. Não vou dizer que dessa água não beberei, porque não sabemos da vida amanhã. Mas é realmente difícil me imaginar passando por tudo isso, ficando imune. Muito difícil mesmo.

Você já sabia que a personagem passaria por situações de violência doméstica? Como fez para se preparar?

Sabia, mas não fui procurar ninguém para saber como era, até porque, tenho essas referências de violência no lar com algumas amigas, com histórias mais pesadas de vida. Além disso, leio jornal, vejo tevê, sei que é uma história antiga, atemporal, que acontece todos os dias.


É mais fácil fazer um personagem inserido em histórias de violência?

Com certeza. Isso é puramente humano. Acho que alguns autores têm escolhido o caminho mais fácil, mais cômodo na hora de escrever.

Como assim?

Vejo que a gente está deixando de oferecer a qualidade do texto que fez com que muitos anos atrás o público se apaixonasse por novela. Na época em que as pessoas saíam correndo para assistir a um capítulo. Os personagens eram mais densos, mais únicos.

É difícil para você interpretar um personagem que tem o mesmo ofício que o seu?

Acho que é diferente. Mas não estou representando uma classe, e sim uma pequena facção dela. A Fernanda é um tipo de atriz muito específica, o que não quer dizer que todas sejam assim.

''Poder Paralelo'' retrata com frequência assuntos como o sexo e a violência. Você permite que suas filhas, de 11 e 14 anos, assistam a esse trabalho?

Permito. Converso muito com elas e preciso que elas entendam o quanto antes o meu ofício. Como é a matéria-prima do meu trabalho, que é a emoção. Foi assim comigo quando eu era criança, e quero que seja assim com elas também. Muitos atores consideram a televisão como uma arte menor. Eu tenho uma paixão enorme pelo que faço e respeito profundamente o veículo. Acho importante que elas saibam do que a mamãe está brincando.

Poder Paralelo - Record, 21h45 - de Segunda a sábado

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