Razão e fé
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 2009
Karina Craveiro<br> TV Press 
Julia Lund está encantada com sua personagem em ''Caras & Bocas''. Tanto que garante levar um tempo para se desvencilhar do jeito tímido e introspectivo da judia Hannah, a noiva prometida de Benjamin, de Sidney Sampaio, cada vez que sai dos estúdios de gravação. A atriz conhecia pouco dos costumes judaicos e acredita que, através do estudo da religião, adquiriu mais calma na rotina e na profissão. ''Por conta da Hannah, consigo ver as coisas de maneira mais tranquila. O povo judeu tem uma visão muito cristalina de qualquer assunto e guia o barco de forma suave. Isso tem me ajudado'', afirma.
Mas a tal tranquilidade de Julia Lund também tem outro motivo. Só depois de 15 anos trabalhando no teatro, a atriz conseguiu esta primeira oportunidade na televisão. Até então, a intérprete de Hannah só havia atuado em uma novela angolana transmitida atualmente por lá. Em ''Minha Terra, Minha Mãe'', da autora brasileira Margareth Boury e dirigida por Reynaldo Boury, Julia interpretou uma vilã. A trama se passa no Brasil e foi filmada no segundo semestre de 2008. ''Foi uma trama encomendada. Eu fazia um triângulo amoroso entre dois protagonistas angolanos. Foi incrível. Aprendi muito com esse trabalho'', lembra.
A chance de emplacar em ''Caras & Bocas'' veio depois de um convite de Nelson Fonseca, produtor de elenco da novela. A atriz havia feito escola de atores da Globo em 2008. E vários de seus testes estavam arquivados na emissora. Nelsinho, como é chamado pelo elenco, mostrou esse material ao diretor Jorge Fernando e ao autor Walcyr Carrasco, que aceitaram a sugestão na hora.
Apesar de ganhar o papel da judia pelo bom resultado de seus testes na oficina de atores, Julia Lund reconhece que a semelhança física com os judeus que moram no Brasil deu um empurrão extra para que ela ficasse ainda mais perto do papel. ''O engraçado é que todo mundo me pergunta se sou mesmo judia, mas sou gói'', avisa aos risos, usando o termo que designa não-judeus. Com ascendência dinamarquesa por parte de mãe e portuguesa por parte de pai, a atriz começou a estudar tudo sobre a religião judaica, assim que soube do papel. Recentemente, chegou até a ir a um casamento judeu, onde os convidados ficavam separados por sexo. ''A cerimônia é linda, fiquei fascinada. Até o rabino perguntou se eu havia gostado. Disse a ele que naquele momento não era gói. A Hannah estava em mim'', afirma.
No núcleo religioso, Julia está mais do que ambientada. Além do diretor Ary Coslov ser judeu, a atriz garante estar totalmente envolvida na temática, e até arrisca defender algumas ideias de sua personagem. ''Acredito que o amor possa ser construído, mesmo quando o casamento é arranjado. O amor vem com o tempo, por convivência'', opina.
Na trama, Julia Lund ganha nos próximos capítulos novos ares para sua personagem. Como a noiva de Benjamin, de Sidney Sampaio, foi praticamente rejeitada pelo judeu, Walcyr Carrasco resolveu não abandonar sua história. Hannah pode iniciar um romance com o advogado Vicente, de Henri Castelli.


