RAVE GIGANTE - Nos embalos e correrias de sábado à noite
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sexta-feira, 01 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Música eletrônica não é só tum, ti, tum, ti, tum, ti, tum. O famoso batidão de estaca. Há variações. Compare a diferença: tum, ti, tum, ti, tum, ti, tum. Não percebeu? Então tente de novo: tum, ti, tum, ti, tum, ti, tum.
A primeira impressão é essa. A música que a gente toca nas pistas parece sempre a mesma coisa. Porém, cada país, queira ou não, tem a sua assinatura própria. Existem tantos estilos musicais e culturas que tornam o set de qualquer DJ dirente, palavra do DJ Kore.
O mexicano que, desde 2006, mora seis meses no Brasil e o restante do ano roda o mundo a bordo de suas pick ups - Kore já tocou no Japão, França, Suécia, Dinamarca e Áustria - é a principal atração da 1ªedição londrinense da Saturday Night Run, um corrida noturna mix de balada.
Kore abre o evento, às 18h30, na Avenida Adhemar de Barros, reunindo na largada mais de mil participantes, que farão percursos de 4 a 8 quilômetros - quase uma rave gigante em que não faltarão iluminação cênica nas árvores, túneis com luzes e projeção de vídeos. Tudo para dar um clima.
Será a primeira vez que o DJ tocará nesse tipo de corrida noturna. Kore pretende botar a chapa para ferver no aquecimento dos maratonistas.
Na pista, o tum, ti, tum, ti, tum será garantido pelo trance progressivo e uma influência de house encorpado, com alguma coisa de techno e minimal, que se tornaram assinatura de Kore nas noitadas.
Ele conta que começou a tocar por brincadeira, há oito anos, no México. A música eletrônica é globalizada. O que se toca aqui ou na China é quase a mesma coisa, mas dependendo, o DJ vai inventando. No meu set tenho músicas que só eu toco.
Para manter a temperatura alta, o DJ diz que não basta tocar o que gosta, mas o que a pista está pedindo. É algo como uma conexão e retroalimentação entre DJ e a pista, tá ligado?
Esse papo parece transcendental demais, porém, não é nada mais do que mexer com o povaréu.
Kore afirma que gosta de contar uma história em cada set. O som é como uma onda, que pode começar lá em cima e ir arrebentando tudo até baixar. Como nas melhores histórias, com começo, meio e fim.
No mapa mundo do DJ, o Brasil é a Meca da música eletrônica, onde festas conseguem reunir um respeitável público de mais de 30 mil baladeiros.
Aqui, a música eletrônica cresce rápido. A galera é de muita festa. Os japoneses também gostam do gênero. Porém, naquele país tem muitas restrições, comenta o DJ.
Todas as boates do mainstream conhecem as pick ups de Kore. Acho que é porque alguns DJs conseguem sons que ninguém mais tem. Também é importante o carisma, o jeito de tocar de cada pessoa. Acho que outra coisa que transforma o DJ em celebridade é se apresentar em eventos que reúnem muitas pessoas, afirma.
Formado em percussão, no México, com especialização na Suíça, Kore já participou de bandas de música celta e funk -que fique bem entendido: funk de verdade e nada do cachorras e tigrões carioca.
Nunca planejei ser DJ. Tocava numa banda em que parte do grupo gostava de música eletrônica e outros eram músicos de conservartório. Fui pesquisar sobre o gênero e entender porque a galera gosta. Claro que alguém que entende de música na hora de mixar terá mais sucesso porque não dá para juntar uma música em lá com outra em dó. Não sai nada. É importante ter um conhecimento de música. Muita gente também começou como DJ, maws acabou abrindo um panorama grande, decidindo estudar música, conclui Kore, defendendo o tum, ti, tum, ti, tum nosso de cada dia - para os que gostam de música eletrônica.


