Raul de Souza mostra suingue em ''Rio''
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Ranulfo Pedreiro 
A influência do jazz na música brasileira durante os anos 50 resultou numa geração de ótimos instrumentistas e compositores que, passada a febre da Bossa Nova, se dirigiram aos Estados Unidos para seguir carreira. Esta leva incluiu Raul de Souza, trombonista que participou de bandas como Sérgio Mendes Bossa Rio e Blue Note.
Além do jazz, Raul de Souza também sobreviveu tocando em grupos de gafieira, onde herdou o suingue dos morros cariocas. Para manter o ganha-pão, Raul participou de bandas de bailes, acompanhou cantores e integrou até de bandas militares.
Nesta trajetória, o trombonista tocou com Altamiro Carrilho, Sivuca, Baden Powell, Maria Bethânia, Leny Andrade, Sonny Rollins, Frank Rosolino, Paquito DRivera, Wayne Shorter e muitos outros - participou até da Jovem Guarda, no conjunto RC7, que acompanhava Roberto Carlos.
ReproduçãoDurante uma passagem pelo Rio de Janeiro, Raul de Souza - que vive atualmente em Paris - encontrou-se com a produtora Cilene Peres, da Mix House, e surgiu a idéia de lançar um disco no Brasil, o décimo de sua carreira. O álbum Rio foi gravado em São Paulo em apenas três dias, em one take, como se fosse ao vivo.
No disco, estão as principais características de Raul de Souza: o sotaque descontraído da gafieira com o requinte da produção proveniente da Bossa Nova e do jazz, além de vários ritmos e gêneros herdados do convívio com jazzmen e a música instrumental brasileira.
À salada, foi acrescentada a presença do trombonista americano Conrad Herwig, que traz influências do jazz mainstream e de gêneros afro-caribenhos. O resultado do encontro é um disco que resume a carreira de Raul de Souza.
Ambos dão agilidade e sutileza a um instrumento que ainda é relegado como solista, embora alguns músicos caminhem em sentido contrário. A dificuldade de execução do trombone é ignorada, ganhando fraseados rápidos e solos prolongados, às vezes atingindo agudos melancólicos.
O repertório, escolhido pelo próprio Raul de Souza, traz Rio, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli; Pra Ser Brasileira, de Taiguara; Chora Tua Tristeza, de Oscar Castro Neves e Luvercy; Não Deu e Íris, de Djavan; Nós, de Johnny Alf; Piano na Mangueira de Tom Jobim e Chico Buarque; e Aquelas Coisas Todas de Toninho Horta. Os arranjos ficaram por conta do maestro Branco e de Conrad Herwig.
Em algumas faixas, Raul de Souza opta pelo Souzabone, invenção própria que consiste em uma espécie de trombone eletrificado. No sax e flauta está Vinícius Dorin; no sax tenor, Felipe Lamoglia; Carlos Alberto de Oliveira no piano; Paulo Russo no contrabaixo; Wesley Izar na bateria e Paulo Vicente Falanga na percussão.
Rio é uma oportunidade de conhecer um dos bons instrumentistas brasileiros que permanecem afastados do País. O disco foi lançado pela Mix House e ganhou distribuição nacional pela Eldorado.


