Estreou na semana do Natal nos Estados Unidos o filme para a criançada que já é um sucesso nesta temporada. É ‘‘O Ratinho Encrenqueiro’’, uma espécie de mistura de ‘‘Esqueceram de Mim’’ com desenhos animados do tipo ‘‘O Papa-Léguas’’ e ‘‘Tom & Jerry’’. O filme também tem elementos de cinema mudo, com muita comédia física. É o terceiro lançamento da DreamWorks, o estúdio de Steven Spielberg, David Geffen e Jeffrey Katzenberg (os outros são ‘‘O Pacificador’’, com George Clooney, e ‘‘Amistad’’, com Anthony Hopkins).
A estética por trás de tudo está mais para adultos, é mais ou menos como a do filme francês ‘‘Delicatessen’’ (1990), meio dark. A direção é de Gore Verbinski, que até agora tinha feito apenas comerciais (como os sapos da cerveja Budweiser) e videoclipes. No elenco, estão dois comediantes de primeira categoria, Nathan Lane (de ‘‘Gaiolas das Loucas’’) e o inglês Lee Evans (de ‘‘Rir É Viver’’).
Depois da morte de seu pai, dois irmãos, Ernie (Lane) e Lars Smuntz (Evans), recebem de herança apenas uma fábrica quase falida e uma mansão aos pedaços que eles acham que não vale nada. Na verdade, é um tesouro arquitetônico que vale milhões e pode tirá-los da pindaíba. O problema é que a casa é ocupada por um ratinho mais do que teimoso. Os dois não são páreo para ele.
Até um gato do tipo feroz (Catzilla) e o exterminador Caesar, interpretado por Christopher Walken, uma das maiores sacadas do casting, têm muitos problemas com o pequeno roedor. Também não há ratoeira que dê jeito, o rato é do tipo muito esperto mesmo. Em outra comparação, é Davi contra Golias e também ‘‘O Gordo e o Magro’’.
O rato do filme, na verdade, são 60 ratos. Eles fazem 85% do trabalho. Os outros 15% são computação gráfica, mas não dá nem para perceber. Os roedores foram treinados em grupos de quatro ou cinco, para executar ações específicas, como pular, correr, escalar e até mesmo subir em sua cama-lata-de-sardinha e ir dormir embaixo da coberta-lenço-de-papel.
Os bichos foram treinados por Boone Narr, que nunca tinha trabalhados com ratos antes. ‘‘Eles são muito inteligentes e fazem várias coisas em takes sem cortes’’, explica ele. A equipe do filme ficou tão íntima dos ratos que alguns deles viraram animais de estimação depois do final das filmagens. Boa parte da graça do filme é saber que ratos de verdade fazem a maior parte daquelas cenas absurdas, muito difíceis.

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