São Paulo, 15 (AE) - É uma segunda invasão gaúcha. Depois do rock tardio do DeFalla e dos Replicantes, chegou uma onda mais moderna e sincronizada. São três até agora; Júpiter Apple (transmutação beckiana do conhecido Júpiter Maçã), Flu e Ratão. Ratão, objeto dessa resenha, conseguiu o impossível: fundiu Ritchie com Chemical Brothers e Prodigy. Seu disco de estréia, sintomaticamente denominado "Ratão" (Trama), é pop até a raiz do cabelo, um arredondamento do som eletrônico mais elitizado - porque circunscrito ao break beat visceral dos clubinhos.
Não sejamos moralistas: Ratão domestica a eletrônica, mas o pop do futuro é certamente algo parecido com isso (futuro no sentido pós-moderno do termo, dos próximos 15 minutos). Apesar de lances bem esquizofrênicos, como "A Cidade" (Versão Picanha), a coisa mais radical ainda vem dos anos 80: o trance Canos Silenciosos, tour de force dos tempos em que Lobão ambicionava estraçalhar o Hino Nacional brasileiro com uma guitarra.
Ratão tem um timing para festa, é pesado sem ser uma afronta à vizinhança. Suas croniquetas têm bom humor e leveza, mas não são bem pouco modernas: o jovem que chega na moça loura e não sabe que ela tem namorado ainda é o mote. Os sertanejos também vivem desse universo de riquíssimas combinações matemáticas.
Em tempo: o nome Ratão não é uma antítese ao Ratinho da TV. O sobrenome do rapaz, Hatsek, possibilitou a ilação que desembocou na alcunha. Serviço - Ratão. CD de estréia do músico gaúcho. Trama Music. Preço médio: R$ 18,00

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