RARIDADES IMPRESSAS
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
A Casa Andrade Muricy, de Curitiba, inaugura hoje exposição com 500 ex-libris, etiquetas ou carimbos que eram usados para indicar o proprietário de um livro
Desde a década de 50 que Curitiba não recebe uma exposição tão grandiosa de ex-libris quanto a que será inaugurada hoje, na Casa Andrade Muricy. Para quem não sabe, ex-libris são as etiquetas ou carimbos que indicam a propriedade de um livro. Geralmente são tão belos que podem ser chamados de obras de arte.
Em épocas de final de milênio, Internet e leituras virtuais, o charmoso hábito de marcar os próprios livros com ex-libris se torna cada vez mais raro, o que aumenta a importância da exposição. Hoje isto está em desuso, confirma o responsável pela Casa Andrade Muricy, Ênnio Marques Ferreira.
Ao todo serão 500 ex-libris expostos. Eles foram selecionados entre uma coletânea de 2,5 mil unidades que pertenceu ao colecionador Ely de Azambuja Germano e que, desde 1981, faz parte do acervo da Biblioteca Pública do Paraná.
Um dos critérios de seleção foi a estética da arte apresentada. Nos selos, há gravuras em metal, xilogravura, litogravura e outros estilos, assinadas por importantes artistas.
Entre os exemplares mais raros que fazem parte da mostra estão os ex-libris encomendados pelo abade Diogo Barbosa Machado, pelo naturalista Von Martius, pelo Barão do Rio Branco, e pelo ex-presidente Eurico Gaspar Dutra.
Embora a maior parte da exposição apresente marcas de posse de bibliotecas internacionais e de várias partes do Brasil, alguns paranaenses têm destaque na mostra. Entre eles estão o presidente da província, Joaquim de Almeida Faria; o professor Nivaldo Braga e o historiador David Carneiro.
Para abrigar os 500 selos que compõem a exposição, foram ocupadas praticamente todas as salas da Casa Andrade Muricy. Ênnio Ferreira explica que, diferente da maioria das mostras, desta vez o público poderá chegar muito perto das obras, inclusive ultrapassando as faixas de segurança e chegando a encostar nos selos. Isso será possível porque os ex-libris estão protegidos por vidros.
Alguns pesquisadores afirmam que tais marcas de posse surgiram no Egito, 1400 anos antes de Cristo. Mas os ex-libris passaram a ser utilizados em larga escala apenas depois da invenção da imprensa e do desenvolvimento das artes gráficas, substituindo outras marcas de posse como as antigas papeletas com o nome do proprietário do livro ou da biblioteca à qual a obra pertence.
Elas devem ser um retrato sincrético do seu titular, em suas atividades profissionais, predileções artísticas, científicas ou filosóficas.
Criada inicialmente com o nome de ex-biblioteca e ex-dono, a expressão ex-libris foi finalmente batizada com a expressão latina ex, que significa origem de, e libri, que é o mesmo que dos livros de.
Além desta exposição, a Casa Andrade Muricy também inaugura hoje a mostra Um Certo Olhar, da artista plástica curitibana Guita Soifer. É um imenso banner de plástico, onde Guita resgata imagens de publicidade, usando pinturas e palavras.
A exposição de ex-libris do acervo da Biblioteca Pública do Paraná e a mostra Um Certo Olhar, de Guita Soifer, serão inauguradas hoje, às 19h30, na Casa Andrade Muricy (Alameda Dr.Muricy, 915, fone 41-321-4733), em Curitiba. Ambas poderão ser vistas até o dia 17 de setembro. O horário de visitação é de terça a domingo, das 10 às 22 horas.


