Tom Jobim além das gravações manjadas. O empresário e colecionador Leon Barg, da gravadora Revivendo Músicas, está colocando no mercado, nesta semana, uma caixa contendo três CDs com registros desconhecidos do repertório ‘‘jobinesco’’: ao todo são 75 faixas interpretadas por cantores e instrumentistas do passado, enfeixadas sob o título ‘‘Tom Jobim: Raros Compassos’’.
Os grandes sucessos do compositor carioca espalham-se nos discos, porém alguns títulos são conhecidos apenas pelos iniciados, como ‘‘Frase Perdida’’, em parceria com Marino Pinto, ‘‘Latin Manhattan’’, ‘‘Moonlight Daiquiri’’, ‘‘Samba não é Brinquedo’’, em parceria Luiz Bonfá e ‘‘Isto Eu Não Faço Não’’.
Algumas faixas se repetem, mas Barg explica que foi intencional – nesses casos ele quis mostrar a diversidade das gravações sobre uma mesma música, como aconteceu, por exemplo, com ‘‘Eu Sei que Vou Te Amar’’. Ela está presente nos volumes 1 e 3, com Albertinho Fortuna (notoriamente um cantor de tangos) e a dupla sertaneja Mara e Cota, que adaptou a obra ao universo caipira, dando-lhe cores sertanejas. ‘‘Se Todos Fossem Iguais a Voc꒒ foi parar na voz de Vicente Celestino, como também na de Maria Helena Raposo.
Os artistas que estão na série são nomes em sua maioria desconhecidos do público mais jovem – Luely Figueiró, Diana Montez, a própria Maria Helena Rapozo, Nelly Martins, Carlos Augusto, Neusa Maria. A estes juntam-se Wilson Miranda, que foi ídolo da juventude na passagem dos 50 para os 60; Agostinho dos Santos, Osni Silva, a sambista Dora Lopes, Dick Farney, Ana Lúcia, Roberto Paiva, Pery Ribeiro, Dorinha Freitas, Cauby Peixoto.
Foram seis meses de trabalho entre pesquisas e autorizações das gravadoras para o uso dessas faixas. ‘‘No meu entender o trabalho ficou bonito, vai agradar aos colecionadores, especialmente aqueles que gostam da música de Tom Jobim’’, aposta o proprietário da Revivendo.
Já o conjunto ‘‘Raros Compassos’’ acondiciona ‘‘jóias perdidas, gravadas em sua maioria uma única vez’’. ‘‘Flor do Mato’’, com o conjunto Galo Preto ‘‘é uma das músicas escondidas’’ do compositor. Com Leo Peracchi e sua orquestra são desvendas outras: as citadas ‘‘Moonlight Daiquiri’’, ‘‘Latin Manhattan’’ e ‘‘Coffee Delight’’. Paulo Jobim, filho do compositor, também desconhecia esses trabalhos.
Como Tom Jobim surgiu em meados dos anos 50, sua obra foi prensada em acetato e vinil, ou seja, nos velhos 78 rpm e nos LPs. A faixa com Vicente Celestino, que fecha o volume 2, está num LP ‘‘raríssimo’’, segundo o colecionador. O artista fugiu ao seu estilo de cantar e selecionou um repertório de clássicos – até então – mais recentes: além de ‘‘Eu Sei que Vou Te Amar’’, constam do disco ‘‘Vingança’’ e ‘‘Conceição’’.
‘‘Acho brilhante a interpretação do Vicente. Com seu vozeirão, ele brinca com a música que é difícil de ser cantada. Dá um show de interpretação e acho bom o pessoal tomar conhecimento, inclusive a mocidade de hoje’’, afirma Barg. Para mostrar à juventude mais curiosa que Mario Reis não era somente intérprete de canções dos anos 30, o empresário incluiu as de Jobim. ‘‘Mario Reis é outro que dá um banho cantando Jobim’’, assegura.

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