RARIDADES DE TOM JOBIM
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de maio de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Tom Jobim além das gravações manjadas. O empresário e colecionador Leon Barg, da gravadora Revivendo Músicas, está colocando no mercado, nesta semana, uma caixa contendo três CDs com registros desconhecidos do repertório jobinesco: ao todo são 75 faixas interpretadas por cantores e instrumentistas do passado, enfeixadas sob o título Tom Jobim: Raros Compassos.
Os grandes sucessos do compositor carioca espalham-se nos discos, porém alguns títulos são conhecidos apenas pelos iniciados, como Frase Perdida, em parceria com Marino Pinto, Latin Manhattan, Moonlight Daiquiri, Samba não é Brinquedo, em parceria Luiz Bonfá e Isto Eu Não Faço Não.
Algumas faixas se repetem, mas Barg explica que foi intencional nesses casos ele quis mostrar a diversidade das gravações sobre uma mesma música, como aconteceu, por exemplo, com Eu Sei que Vou Te Amar. Ela está presente nos volumes 1 e 3, com Albertinho Fortuna (notoriamente um cantor de tangos) e a dupla sertaneja Mara e Cota, que adaptou a obra ao universo caipira, dando-lhe cores sertanejas. Se Todos Fossem Iguais a Você foi parar na voz de Vicente Celestino, como também na de Maria Helena Raposo.
Os artistas que estão na série são nomes em sua maioria desconhecidos do público mais jovem Luely Figueiró, Diana Montez, a própria Maria Helena Rapozo, Nelly Martins, Carlos Augusto, Neusa Maria. A estes juntam-se Wilson Miranda, que foi ídolo da juventude na passagem dos 50 para os 60; Agostinho dos Santos, Osni Silva, a sambista Dora Lopes, Dick Farney, Ana Lúcia, Roberto Paiva, Pery Ribeiro, Dorinha Freitas, Cauby Peixoto.
Foram seis meses de trabalho entre pesquisas e autorizações das gravadoras para o uso dessas faixas. No meu entender o trabalho ficou bonito, vai agradar aos colecionadores, especialmente aqueles que gostam da música de Tom Jobim, aposta o proprietário da Revivendo.
Já o conjunto Raros Compassos acondiciona jóias perdidas, gravadas em sua maioria uma única vez. Flor do Mato, com o conjunto Galo Preto é uma das músicas escondidas do compositor. Com Leo Peracchi e sua orquestra são desvendas outras: as citadas Moonlight Daiquiri, Latin Manhattan e Coffee Delight. Paulo Jobim, filho do compositor, também desconhecia esses trabalhos.
Como Tom Jobim surgiu em meados dos anos 50, sua obra foi prensada em acetato e vinil, ou seja, nos velhos 78 rpm e nos LPs. A faixa com Vicente Celestino, que fecha o volume 2, está num LP raríssimo, segundo o colecionador. O artista fugiu ao seu estilo de cantar e selecionou um repertório de clássicos até então mais recentes: além de Eu Sei que Vou Te Amar, constam do disco Vingança e Conceição.
Acho brilhante a interpretação do Vicente. Com seu vozeirão, ele brinca com a música que é difícil de ser cantada. Dá um show de interpretação e acho bom o pessoal tomar conhecimento, inclusive a mocidade de hoje, afirma Barg. Para mostrar à juventude mais curiosa que Mario Reis não era somente intérprete de canções dos anos 30, o empresário incluiu as de Jobim. Mario Reis é outro que dá um banho cantando Jobim, assegura.


