Ao fazer o check-in no aeroporto, rumo à Paraíba, o músico Carlos Malta observou o código da etiqueta colocada na bagagem: JPA - indicando que o destino da mala era João Pessoa. Corria o ano de 1994 e, durante o vôo, o código foi transformado em uma composição.
Malta viajava com a idéia de formar um quarteto composto por saxofones soprano, barítono, tenor e alto. A proposta encontrou terreno fértil em João Pessoa, despertando o interesse de músicos da Orquestra Sinfônica da Paraíba. A Orquestra havia adquirido exatamente quatro instrumentos que se encaixavam no propósito da formação do grupo, ao mesmo tempo em que a Universidade Federal da Paraíba - UFPB - instalava, em seu Departamento de Música, a cadeira de saxofone. O resultado de contingências tão favoráveis foi o JP Sax, grupo que está lançando o primeiro disco, chamado ‘‘Quarteto’’, pelo CPC-Umes.
Embora o saxofone seja um instrumento de grande popularidade, quartetos específicos ainda são raros. No caso do JP Sax, além dos arranjos exclusivos, há uma aproximação da música popular, incluindo o choro, com sonoridade camerística.
O nome do grupo foi baseado na música ‘‘JPA’’, de Malta, um dos carros-chefes do lançamento. O disco ainda inclui ‘‘Saxofone, Por Que Choras?, de Ratinho - que fazia dupla com Jararaca -, as clássicas ‘‘Rosa’’, de Pixinguinha e Otávio de Souza, e ‘‘Vôo da Mosca’’, de Jacob do Bandolim; além de Hermeto Paschoal, com ‘‘Catenga’’, e Guinga, com ‘‘Baião de Lacan’’, entre outros.
‘‘É um grupo diferente, com uma formação que ainda é incomum, mas que já mobilizou o público nas primeiras apresentações. Nós fazemos pesquisa de repertório e resgate de compositores regionais, sem deixar de lado autores consagrados para dar maior suporte ao trabalho’’, comenta Arimatéia Veríssimo, responsável pelo sax-alto e professor do instrumento no Departamento de Música da UFPB, em entrevista realizada por telefone.
O JP Sax fez diversas apresentações, até conseguir apoio da Universidade, em 1997, para bancar um estúdio de gravação. Ainda neste ano, o grupo fez um concerto assistido por Marcus Vinícius, diretor-artístico do CPC-Umes, que ofereceu o selo para cuidar da arte-final, reprodução e distribuição, que ficou a cargo da Eldorado.
Além de Arimatéia, o JP Sax conta com João Leite Ferreira no sax-soprano, Rivaldo dias no sax-alto e Heleno Feitosa no sax-barítono. Os arranjos do grupo foram feitos pelo Maestro Chiquito, por Arimatéia Veríssimo - que também compôs as faixas ‘‘Varei!’, ao lado de José Carlos, e ‘‘Milk Cheid’’ - e Carlos Malta.
‘‘Quarteto’’ é uma novidade que acerta nos arranjos, repertórios e intérpretes. A combinação de quatro saxofones não deixa espaços em branco durante a execução, garantindo bom apoio instrumental para o desenvolvimento das melodias principais. Enquanto trabalha na divulgação do disco de estréia, o JP Sax já estuda um repertório para o segundo álbum, projeto - segundo Arimatéia Veríssimo - ainda para longo prazo.DivulgaçãoJP Sax: além de arranjos exclusivos, aproximação da música popularRanulfo Pedreiro

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