Rapunzel em tom de comédia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de janeiro de 2011
Omar Godoy <br>Equipe da Folha 
Não é fácil atualizar um conto infantil clássico. Muitos já tentaram, mas o resultado quase sempre escorrega para o ''moderninho'' - no pior, e mais caricatural, sentido do termo. Por essas e outras, ''Enrolados'', a nova versão de Rapunzel, já chega aos cinemas como a primeira boa surpresa da temporada 2011.
Em cartaz a partir de hoje no Brasil, depois de exibições em sistema de pré-estreia, a animação vai além do que se espera da grife ''Princesas Disney''. A fantasia e o romantismo de sempre estão lá, claro. A diferença é a dosagem de humor e ação, que aproxima a produção do público mais acostumado com o ritmo de ''Toy Story'', ''Shrek'' e afins.
Dirigido por Byron Howard e Nathan Greno (de ''Bolt - Supercão''), o filme traz apenas uma ''liberdade poética'' gritante em relação à obra dos Irmãos Grimm. Aqui, o salvador de Rapunzel não é um príncipe, e sim o ladrão Flynn Rider. Uma opção acertada e que garante o tom cômico, principalmente graças ao impagável cavalo-policial Maximus, obcecado em capturar o larápio.
Aliás, ''Enrolados'' traz uma verdadeira galeria de malfeitores engraçados. Todos extremamente sensíveis por trás da aparência durona. Juntos, eles protagonizam um improvável número musical, ambientado numa taberna barra pesada. É o melhor momento do desenho e, desde já, uma sequência clássica na história das animações.
No campo visual, também chama a atenção a combinação de elementos. É como se, conceitualmente, o longa integrasse a linguagem tradicional da Disney com o traço mais livre das produções contemporâneas. Mais uma prova de que a parceria com o estúdio Pixar só tem feito bem ao estúdio do Mickey Mouse.
Mas nem tudo é interessante em ''Enrolados'', que também está disponível no formato 3D (totalmente dispensável, por sinal). A versão brasileira é estragada pela dublagem de Luciano Huck, convidado para interpretar Flynn Rider. Além de ser dono de uma voz analasada, o apresentador de tevê simplesmente destoa dos outros dubladores profissionais. Felizmente, não chamaram Angélica para fazer as vezes da Rapunzel.


