Aos 26 anos, a cantora e compositora curitibana Karoline dos Santos Oliveira, ou simplesmente Karol Conka, acaba de lançar pela gravadora Deck Disk seu primeiro CD, "Batuk Freak". O álbum conta com 12 faixas e traz para o universo do rap um samba de Almir Guineto, temas folclóricos e africanos e participação especial do renomado músico Naná Vasconcelos.
Mas antes mesmo de gravar disco Karol já era considerada uma referência do Hip Hop nacional emplacando três sucessos na internet, que juntos somam mais de 1,5 milhão de visualizações no YouTube.
A popularidade da paranaense ganhou dimensão nacional depois que ela desbancou nomes já consagrados como Anitta, a cantora e atriz Clarice Falcão e o grupo de humoristas "Porta dos Fundos" e levou para casa o troféu Artista Revelação do Prêmio Multishow 2013, entregue no início de setembro, no Rio de Janeiro. Karol foi eleita por um superjúri que reconheceu a qualidade e a originalidade de seu trabalho.
Em entrevista por e-mail à FOLHA, a rapper fala sobre o novo momento que está vivendo, suas fontes de inspiração e as aspirações para a carreira musical.

Você sempre gostou de rap?
Eu sempre ouvi muito samba. Lá em casa praticamente era só o que tocava. Fui me interessar por rap no colégio, quando um namoradinho que eu tinha me mostrou alguns sons e eu passei a ouvir cada vez mais. Aí conheci Fuggees e me inspirei em Lauryn Hill.

Quando e como você se descobriu compositora?
Quando eu aprendi a escrever com 5 anos, comecei a fazer pequenos versos de amor para o meu pai. Lembro-me de gostar da sensação de criar palavras rimadas seguidas de melodia. Comecei a me aventurar no rap mais tarde, com 16 anos. Um professor me deu incentivo e não parei mais.

O que te inspira a compor?
Depende da música, do dia, do clima! Gosto de me inspirar no cotidiano de vida das pessoas e e no que acontece do meu dia a dia!

Quais são suas influências musicais?
Como eu disse, ouvia muito samba na infância (Almir Guineto, Fundo de Quintal...). Isso com certeza me influenciou muito. Depois, eu passei a ouvir muito Lauryn Hill e Erykah Badu, Jorge Ben, Timbalada. Hoje eu ouço um monte de coisas, Rihanna, Bjork, M.I.A., Aluna George, Juicy J...

Existem outras pessoas que cantam ou compõem em sua família?
Na minha família sou a única envolvida com a música! Fui incentivada pela minha vó que sempre gostou de cantarolar pela casa e não teve oportunidade de se aventurar no mundo das melodias!

De onde vem o seu nome?
Tinha uma menina chamada Caroline na minha sala no colégio. Aí os professores, quando me chamavam, falavam "Karol com K". Aí virou um apelido. Todo mundo começou a me chamar assim e eu resolvi adotar o nome.

Como surgiu a ideia de trazer Almir Guineto, temas folclóricos africanos e o som ancestral de Nana Vasconcelos para o seu universo particular?
O Almir Guineto mais uma vez remete à minha infância. "Caxambu" é uma música que eu ouço desde criança. Aí surgiu a ideia de fazer uma releitura para o "Batuk Freak". Os temas folclóricos e africanos que aparecem no meu disco são fruto da parceria com o Nave, o produtor do álbum. Nosso objetivo era fazer um disco cheio de misturas e influências, que fosse universal, mas mantivesse uma identidade própria.

Ficou surpresa ao desbancar a cantora Anitta e ganhar o Prêmio Multishow na categoria Revelação?
Fiquei muito surpresa! Acho que deu para perceber que eu nem sabia o que falar quando subi no palco para receber o prêmio. Eu realmente não esperava. Foi muito emocionante representar minha cidade (Curitiba) nessa premiação, mas sigo com os pés no chão. É um prêmio importante, mas é um incentivo a mais para eu seguir trabalhando seriamente.

Enquanto o funk ganha cada vez mais a adesão feminina, ainda não existem muitas mulheres com destaque nacional no rap. A que você atribui isso?
O processo é mais lento do lado de cá (Rap Feminino). Já era difícil para os homens atingirem a popularidade fazendo rap, imagina para as mulheres, que sempre foram minoria dentro da cultura Hip Hop. Hoje em dia existem muitas mulheres criando rimas de conteúdo com muita atitude! Dentre elas estão: Flora Matos, Karol de Souza, Livia Cruz, Brisa Flow, Lurdez da Luz, Sistah, Mc Gra, Nathy Mc... Talvez, agora nossa visibilidade aumente com a chegada de um prêmio revelação no Rap de saia, rs!

Tem ambição de popularizar ainda mais o rap?
Tenho e muita! O rap tem que estar em todos os lugares. Tem uma linguagem acessível e carrega mensagens boas. Irei trabalhar com muito foco e pé no chão pra isso acontecer.

Você continua morando em Curitiba?
Continuo, sim. Por enquanto, vou seguir morando por aqui. Acho que não é o caso de ir para outra cidade. Aqui é onde está a minha família, os meus amigos. Quando rolam os shows ou entrevistas, eu acabo viajando. Mas sempre volto para cá.

Já consegue sobreviver de música?
A música é a minha profissão. Há três anos, é do meu trabalho com o rap que eu tiro meu sustento! Faço shows pelo Brasil todo e sou feliz por ser recompensada.

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