Rapper francês se inspira na capoeira
Rilès traz influências do Brasil e da África em seu novo disco
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terça-feira, 23 de abril de 2019
Rilès traz influências do Brasil e da África em seu novo disco
Pedro Rocha/ Especial para AE 
Para o público americano em geral, não é tão comum ouvir falar em rappers franceses. Mas um, em especial, tem, nos últimos anos, conquistado mais espaço por aqui. É o franco-argelino Rilès, de apenas 23 anos.
Rilès não faz rimas em francês ou árabe. Sempre apostou no inglês. O motivo, segundo ele, não foi comercial, mas uma forma de ter mais liberdade em casa. "Escrevia em francês, mas não queria que meus pais vissem, então comecei a escrever em inglês", ele confessa ao jornal O Estado de S. Paulo, numa entrevista por telefone, direto de Paris.

O motivo para esconder as letras dos pais era o conteúdo. Uma das músicas mais recentes de Rilès, por exemplo, se chama “Marijuana.” Até hoje, ele diz, os pais não entendem direito sua música, mas desde o início o apoiaram. "No começo foi um pouco mais difícil porque eles se preocupavam se eu iria ganhar dinheiro."
O dinheiro veio, assim como a fama. Hoje, Rilès deixou o quarto de sua casa e faz parte de uma grande indústria fonográfica. Para ele, uma selva. Não por acaso, o seu próximo disco de estúdio vai se chamar “Welcome To The Jungle”, ou "bem-vindo à selva", e tradução livre. "É uma metáfora para a indústria", ele explica.
Para o novo trabalho, Rilès promete influências de todo o mundo, principalmente da África e, também, do Brasil. É que o rapper tem praticado, pelos últimos quatro anos, capoeira. Por isso, nos últimos anos ele tem ouvido bastante algumas músicas baianas que embalam o esporte, como as do capoeirista Mestre Barrão. "Também gosto muito de Sergio Mendes", ele confessa. Ele espera, até o final do ano que vem, realizar shows no País.
Rilès acredita que o fato de fazer rimas em inglês o deixa mais global, o que é uma coisa boa, em sua opinião. "Eu quero ser global. Não quero trabalhar em um único país, quero atingir o máximo de pessoas possível. A música é universal", reflete.
VISUAL
Para Rilès, além dos versos, outra parte fundamental do seu trabalho são os videoclipes. Por isso, ele faz questão de dirigir a maioria deles. Marijuana, o mais recente, faz uma viagem psicodélica e colorida, com direito a uma participação especial de Snoop Dogg. "O clipe mostra aspectos da música que não podem ser compreendidos no áudio", ele diz. "Para mim é importante dirigir os clipes. Sempre componho e já pensando no vídeo, os dois se completam."
Welcome to the Jungle ainda não tem data para chegar às lojas, mas Rilès garante que o álbum já está "99%" pronto. "Últimos detalhes."


