São Paulo - Os MCs brasileiros estão ''bem na fita''. Rappers como Emicida, Rincon Sapiência, Akira Presidente e Rael da Rima têm quebrado o preconceito. E não só levando o estilo para o público em geral, mas também trazendo musicalidade para as suas rimas. E essa mistura está conquistando espaço na ''gringa''.
Depois de se apresentar com Emicida no festival Coachella, um dos maiores eventos de rock e música pop nos Estados Unidos, o rapper Rael da Rima se apresenta neste fim de semana no 32º Festival Internacional de Jazz de Montreal, no Canadá, que começou na última sexta e vai até amanhã.
Rael, 28 anos, toca hoje no palco Scène Bell, dedicado a artistas de procedência latino-americana. Além do rapper brasileiro, apresentam-se nomes importantes do jazz, como Trombone Shorty, Béla Fleck, Esperanza Spalding e Madeleine Peyroux.
Não são comuns MCs, como Rael, na escalação do festival. ''Acho que é o lance da música, de misturar as coisas. Tem canção no disco com base de jazz'', diz Rael. ''Meu show também tem espaço para bastante improvisação'', reconhece o músico, que está divulgando o álbum ''MP3: Música Popular do 3º Mundo'', lançado no ano passado. Ao vivo, ele se apresenta com um septeto, que inclui saxofonista e trompetista. Por problemas de documentação, no Canadá Rael será acompanhado só pelo trompetista e pelo DJ.
O disco, inclusive, foi lançado no Canadá, em julho do ano passado, quando o MC participou do festival Afro Latin Soul, em Québec. ''Foi graças à reação do público nessas ocasiões que surgiu o convite para o Festival de Montreal'', revela Rael.
Além do repertório de ''MP3'', no qual também incorporou elementos de samba-rock, reggae e MPB, Rael apresenta versões de músicas de Ed Motta, Djavan e Gilberto Gil. ''É esse elemento brasileiro que conquista a atenção dos gringos. Se você fizer apenas rap comum, não se destaca na multidão'', constata o MC.
Apesar de fazer hip-hop, com rimas, Rael não se considera um autêntico MC, já que sabe cantar, além de tocar violão, tanto no estúdio quanto ao vivo. Há 12 anos em atividade, o músico também integra o grupo Pentágono, formado em 2001.

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