São Paulo, 15 (AE) - O rapper carioca MV Bill, da Cidade de Deus (uma das regiões mais violentas do Rio de Janeiro, na zona oeste), protagonizou uma das primeiras polêmicas do Free Jazz Festival, em sua apresentação na noite de abertura, ao lado da banda "The Roots", da Filadélfia, no Rio. MV Bill cantou apenas duas canções, com uma pistola na cintura, entendendo isso como uma espécie de protesto contra a violência no País. Aparentemente, a pistola (uma automática 7.65) era de brinquedo, mas causou reboliço.
Caetano Veloso, há algum tempo, também causou polêmica ao se apresentar no Rio com um capuz semelhante ao dos traficantes dos morros. "Morrer é fácil/difícil é viver", diz o rap de MV Bill, o contraponto carioca ao rap raivoso dos Racionais MCs, de São Paulo. O rapper apresentou-se por volta das 22 horas. Ao fim de sua apresentação, Bill entregou a arma a um dos integrantes do The Roots e fez o símbolo da pomba da paz.
MV Bill lançou recentemente, pelo selo Natasha, o disco "Traficando Informação", trabalho contundente que o levou a ser convidado pela produção do Free Jazz. O disco reedita o repertório anterior do rapper e inclui três faixas inéditas. Entre os temas de MV Bill estão o combate à discriminação racial
a desigualdade social (Como Sobreviver na Favela) e a marginalidade. (Colaborou Roberta Jansen)

mockup