RAPPA CANTA INJUSTIÇAS SOCIAIS
Simone Mattos
De Curitiba
Eles falam sobre a violência urbana com conhecimento de causa. Os integrantes da banda O Rappa têm intimidade com a vida dos morros do Rio de Janeiro. As letras denunciam a realidade social e as melodias misturam influências que vão do samba ao hip-hop, passando pelo reggae e pelos ritmos africanos. Tudo isso estará hoje à noite, no show Lado B Lado A, que será apresentado na Fórum.
No palco, uma das novidades será a presença do grafiteiro Speto. Ele faz um pano de fundo, um cenário vivo, explica o tecladista Lobato. As injustiças sociais cantadas pela banda serão retratadas ao vivo num painel colocado no fundo do palco da Fórum.
O nome Lado B Lado A é proposital e tem a intenção de mostrar os dois lados de uma realidade. O disco anterior, Rappa-Mundi (1996), vendeu mais de 300 mil cópias e foi apresentado em todo o País. Entre as muitas histórias que unem a banda ao cotidiano das favelas cariocas está uma que o baterista Marcelo Yuka e o vocalista Falcão adoram contar: os dois estavam em um morro do Rio quando começaram a cantar e a tocar. A bandidagem foi se aproximando e, encantada, depôs as armas para curtir e bater palmas, narram.
Lobato explica que a situação geográfica do Rio contribui para esta convivência. Ao contrário de São Paulo, as pessoas de maior poder aquisitivo e o morro estão muito próximos, diz ele. Na praia também todos se misturam, comenta ele.
Yuka iniciou a sua carreira musical há dez anos, quando começou a ensaiar com a banda KMD-5, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Hoje, mesmo após ter conquistado sucesso nacional, ele não abandona as suas origens e combate qualquer espécie de deslumbramento com a fama. Diariamente circula pelas favelas cariocas, apesar de morar numa bela casa num bairro classe média da cidade, e já montou oficinas musicais e culturais em vários morros.
Conscientes da responsabilidade social de cada um, os músicos da banda aproveitam a passagem por Curitiba para lançar o projeto social Palma da Mão, criado pelo O Rappa e apoiado pela Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase).
Doações conquistadas pela banda durante os shows são repassados à Fase e distribuídos a vários projetos nacionais que visam a educação, alfabetização e conquista de direitos individuais do jovem brasileiro.
Um dos grandes sucessos do álbum Lado B Lado A, a canção Minha Alma, de Marcelo Yuka, deixa claro o pensamento da banda: Paz sem voz não é paz, é medo...
Das 12 faixas do disco, apenas Se Não Avisar o Bicho Pega (gravada anteriormente por Bezerra da Silva) não é de autoria da banda. Entre as influências que aparecem claramente nas outras músicas estão grandes nomes da música brasileira, como Jorge Benjor, Tim Maia e o próprio Bezerra da Silva.
O show Lado B Lado A da banda O Rappa será apresentado hoje, após a meia-noite, na Fórum (Rua João Palomeque, 80). Maiores informações pelo fone 347-4000.O grupo carioca O Rappa está em Curitiba para apresentar a sua nova turnê, Lado B Lado A, em único show que acontece hoje na Fórum
DivulgaçãoFalcão, Yuca, Lobato, Lauro e Xandão formaram O Rappa há seis anos e já lançaram três álbuns. Abaixo a capa de Lado B Lado A





