Rap também vai à escola
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quinta-feira, 20 de abril de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Além de ser uma atividade cultural extra, o rap que faz parte do movimento hip hop vem conseguindo melhorar o desempenho escolar de alunos do Colégio Estadual Benjamin Constant, da Vila Portuguesa (região central). Na última quarta-feira, 31 alunos, de 6ªa 8ªsérie, se reuniram para gravar um CD com duas músicas de rap, elaboradas por eles, que falam de paz e preconceito. O material gravado será encaminhado para a seleção de trabalhos culturais para a próxima edição do Festival de Arte da Rede Estudantil (Fera) evento organizado pelo Governo do Estado do Paraná , que será realizado em Cornélio Procópio, de 11 a 16 de junho (para as escolas da Região Norte do Paraná). Os alunos selecionados poderão participar do evento, que acontece durante uma semana, com todas as despesas pagas. O colégio também pretende expandir o projeto, apresentando as músicas dos alunos em outras escolas de Londrina.
Segundo a professora de Artes Irene Aparecida Almeida Anizelli, a iniciativa de ter hip hop na escola partiu dos próprios alunos e coube a ela se informar melhor do tema, o que acabou resultando no Projeto Interdisciplinar de Cidadania Hip Hop: Um sonho, um movimento. No início eu sabia muito pouco do movimento, mas acabei descobrindo que é muito interessante e tem muito identificação com os alunos, comentou a professora.
As aulas acontecem no período de contraturno e os alunos que não melhoram no desempenho escolar correm o risco de deixar de participar do projeto. Eles estão adorando e, consequentemente, estão mais motivados em vir para a escola. Estão mais felizes e também se dedicando mais aos estudos, afirmou.
No ano passado, a escola já havia viabilizado um espaço para os alunos praticarem os movimentos de dança do hip hop. A parte musical foi integrada neste ano e conta com a colaboração do MC Rei, que virou ídolo dos alunos, e há cinco anos vem se dedicando a projetos da Rede da Cidadania, promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura. O trabalho nas escolas também inclui palestras sobre o movimento. Muitas pessoas ainda têm uma visão errada do hip hop, acham que é algo relacionado à violência, destacou o MC Rei.
Bem afinadas, as alunas Laís Deisielle da Silva e Andressa Cristina da Silva, ambas de 11 anos, estavam orgulhosas do desempenho delas na gravação do CD. A gente já brincava de cantar rap na rua e foi muito bom ter a oportunidade de cantar na escola. A professora ficou até mais legal e os nossos pais estão dando apoio, disseram.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo telefone (43) 3326-6960.


