Se fosse uma banda, Ranxerox seria algo na linhas dos primeiros dias do Stooges ou do Sex Pistols. Rebelde e provocador, o personagem tornou-se ícone nos quadrinhos ao questionar valores da sociedade e inspirou artistas de diversas áreas. Agora, a criação dos italianos Tamburini e Liberatore chega na íntegra ao Brasil em edição de luxo pela Conrad Editora.
Rank Xerox nasceu em 1977, no auge do punk, e logo de cara já mostrou a que veio: suas primeiras e curtas ''aventuras'' mostravam a deturpação moral em pessoa, ou melhor, em robô com aspecto de um símio. Mutilação, sexo, pedofilia, assassinato, consumo de drogas... Todos tópicos politicamente incorretos, explorados de forma ultraviolenta em uma Roma futurista, nos traços e palavras do ilustrador e roteirista Stefano Tamburini.
Pouco tempo após a criação, ganhou ainda mais a atenção na comunidade artística e arrebanhou milhares de fãs, especialmente com a entrada de Tanino Liberatore nos desenhos. Liberatore destacou com ilustrações hiper-realistas a ácida crítica aos yuppies e ao governo italiano em histórias com um fundo cyberpunk. Especialista em anatomia, emprestou um verniz artístico que calou a boca de muitos críticos e elevou a controversa produção ao status de arte. Nesse período, já em 1980, o personagem precisou ter seu nome alterado de Rank Xerox para Ranx e Ranxerox devido a uma reclamação da famosa empresa de fotocopiadoras, alvo de Tamburini na concepção do brutamontes.
Bem, Ranxerox é nada mais que um uma criatura cibernética desprovida do que a sociedade costuma chamar de sentimentos e moral de uma pessoa normal. Ele tem uma namorada de 12 anos, a junkie chamada Lubna, e simplesmente faz o que quer, como massacrar quem estiver enchendo seu saco em um metrô.
O personagem ajudou Tamburini e Liberatore a inspirar o underground europeu - e posteriormente mundial - com revistas como a ''Cannibale'' e a ''Frigidaire'', que trouxeram um pouco da aura beatnik e da contracultura de tempos anteriores. É possível encontrar resquícios do DNA de Ranxerox em role playing games cyberpunk, em filmes como ''Blade Runner'' ou ''Exterminador do Futuro'' e também em trabalhos de Oliver Stone e Quentin Tarantino.
Ranxerox teve uma curta carreira devido à morte precoce de seu criador, Tamburini, que em 1986, aos 31 anos, não resistiu a uma overdose de heroína. Foram apenas algumas pequenas histórias, em preto-e-branco, e outras quatro produções mais longas, sendo a última concluída com a ajuda do cineasta Alain Chabat, que continuou o último roteiro de Tamburini ao lado de Liberatore.
A Conrad caprichou em um formato grande e capa dura, uma edição de luxo que finalmente satisfez a vontade do editor Rogério de Campos de publicar por aqui a obra completa. Rogério já havia trazido Ranxerox para o Brasil na extinta revista ''Animal'' e o personagem também chegou a aparecer por aqui na versão nacional de ''Heavy Metal'', mas nunca na íntegra. O livro também traz uma introdução que resgata toda a importância das criações de Tamburini e Liberatore, além de outras pin-ups.
Serviço

- Ranxerox

Autores - Stefano Tamburini, Tanino Liberatore e Alain Chabat
Editora - Conrad
Formato - 23,5 x 31,5 cm com capa dura (192 págs.)
Quanto - R$ 49,90
Classificação - Impróprio para menores de 18 anos

mockup