Rainha em cena
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um roteiro imaginário que narra uma viagem da ''Rainha de Sabá'', uma personagem mítica da Etiópia, a Jerusalém é pretexto para um mergulho na história e na cultura africana no espetáculo ''Sabá: Mito, História e Arte Negra'' que o grupo Cabula de Teatro Afro-Brasileiro apresenta de hoje a sexta-feira, às 20h30, no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina.
O espetáculo já foi mostrado em 10 escolas do município sendo assistido por cerca de 1.500 alunos da rede pública de ensino. O diretor Marcos Costa define o trabalho como um ''Vídeo-Cena''. ''O vídeo é central na montagem, diferentemente de peças teatrais que usam a projeção como acessório. Aqui ele aparece em primeiro plano, complementado com elementos de teatro de sombras e execução de música eletrônica e ao vivo'', diz.
O espetáculo tem participação da atriz Fernanda Lima e do percussionista Robson Arantes. Se as apresentações escolares tiveram patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), as apresentações no Teatro contam com apoio da Aluá Arte Afro Brasil. A montagem transporta o público para a Etiópia, país do norte da África que experimentou uma dinastia de 3 mil anos e só foi conhecer a democracia ocidental em 1974.
O foco é a ''Rainha de Sabá'', que teria vivido no século 10 antes de Cristo e é personagem fundamental no livro de lendas Kebra Negast (Glória dos Reis), as ''escrituras sagradas'' dos etíopes. O trabalho reconstitui uma suposta viagem da monarca à corte do Rei Salomão, em Jerusalém, com quem teria tido relações e um filho, Menelik, que viria a ser o primeiro imperador dos etíopes.
''Mostramos também um pouco da história daquele povo falando dos imperadores e das guerras'', salienta. Segundo Costa, o último imperador Hailé Selassié (1892-1975) tem grande influência na cultura rastafari e no universo do reggae. Segundo profecias, ele seria o ''messias'' negro, descendente do Rei Salomão e que conduziria os afro-descendentes do mundo para única terra. Selassié foi assassinado em 1975, um ano depois de ser deposto, mas muitos fiéis seguidores acreditam que ele ainda esteja vivo.
Costa, que é formado pelo Curso de Artes Cênicas da UEL, desenvolve pesquisas sobre temas afro-brasileiros há seis anos. ''Anastácia'' e ''A Congada de Chico Rei'' foram alguns de seus espetáculos anteriores. ''Procuro mostrar uma cultura que é bem diferente da nossa e à qual infelizmente temos pouco acesso'', diz. O objetivo, segundo ele, é levar ao pé da letra a lei nº 10.639, de 2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.
SERVIÇO
- Sabá: Mito, História e Arte Negra
Quando - Hoje, amanhã e sexta-feira, às 20h30
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina
Quanto - R$ 3
Mais informações - (43) 3328-7364 e 9147-3221


