Arquivo FolhaCanisso: ‘‘O som nativo ficou mais homogêneo, perdeu aquela evidência que tinha no início’’A cidade que mais recebe os Raimundos no Brasil ficou sem ver os moços no ano passado. Curitiba não se cansa de aplaudi-los, nem eles se cansam de vir, mas atropelados pelos múltiplos compromissos em 97, quebraram a tradição de fazer pelo menos uma apresentação aos curitibanos. Para matar saudades acumuladas, os músicos fazem hoje uma apresentação na Forum. Dizem que vão arrasar.
‘‘Pode colocar no seu jornal que o repertório foi escolhido a dedo, procuramos o melhor dos três discos anteriores. Queremos um repertório que melhor se encaixe com a vibração do nosso público a풒, orientou Canisso, por telefone, na tarde de quarta-feira. Enquanto falava, fechava janelas. ‘‘Aqui em São Paulo está caindo o maior toró’’.
O show que eles trazem tem o nome do seu último CD, ‘‘Lapadas do Povo’’. Com quase 200 mil cópias vendidas, o quarto álbum do grupo conquistou o Disco de Ouro com um mês de vida. A produção ficou a cargo de Mark Deamley, que também trabalhou em ‘‘Lavô Tá Novo’’ e, mais no passado, com o Black Sabath e AC/DC.
Devido ao material de divulgação da gravadora, criou-se uma idéia generalizada de que este lançamento viria com um som mais pesado. Não é nada disso, garantiu o baixista. ‘‘O que vejo é uma continuidade daquilo que sempre fizemos’’. Para ele não aconteceu nenhuma mudança radical, mas uma evolução.
Os Raimundos têm hoje um som facilmente identificável. Bastam os primeiros acordes para o público saber de quem se trata. ‘‘O som nativo ficou mais homogêneo, perdeu aquela evidência que tinha no início’’, comentou Canisso.
Ele garantiu que a banda não vê a hora de subir ao palco em Curitiba. ‘‘Esta é a cidade onde mais tocamos; mais que em São Paulo, Brasília, Rio. Estivemos no Sindicate, Coração Melão, Aeroanta, Forum. Só na turnê do segundo disco fomos aí umas 12 vezes’’.
O público responde com o mesmo entusiasmo a cada apresentação e a empatia é tanta que Canisso não se esquece dessas vezes. A ponto de detalhar o primeiro show, ocorrido no Palácio de Cristal (Círculo Militar). Difícil esquecer a platéia de mais de 30 mil pessoas na Pedreira, ao lado dos Ramones e do Sepultura. Um dos integrantes do Sepultura chegou a dizer que aquela tinha sido a noite dos Raimundos. Foram ovacionados.
As amizades multiplicaram-se, nesse ir e vir. Para ajudar na simpatia que a banda nutre pela cidade, há o aspecto de se poder andar pelas ruas sem a insegurança de outras capitais. ‘‘Dá prazer andar a pé. Para nós, que somos de fora, passa-nos a impressão de um povo satisfeito, feliz’’.
Canisso, mais especialmente ainda que o resto do grupo, tem razões de sobra para querer estar em Curitiba. Como tem uma irmã morando aqui, está doido para conhecer o sobrinho Gabriel, de três meses, que ele ainda não conhece. Até agora viu o bebê somente por fotografias. ‘‘Ele é lindo, parece comigo quando eu era pequenininho’’, desconcerta-se todo.
• Raimundos - show ‘‘Lapadas do Povo’’, na Forum, em Curitiba. Ingressos: R$ 20. Informações: tel. (041) 347-4000.

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