Rádios não tocam os músicos da cidade
O produtor musical Manoel Neto tem nove anos de experiência e cerca de 300 shows promovidos. Sua produtora, a + (Mais) Records, produz fanzines e CDs coletâneas do rock local, como o Lototol que foi lançado recentemente. Em sua opinião, Curitiba tem as melhores bandas, as mais ousadas e as de melhor qualidade do País. Apesar disto, ele é pessimista em relação ao mercado.
A fase atual é de euforia e há muita ilusão, desabafa. Dizer que Curitiba vai estourar é uma mentira. Vai demorar muito, pois tudo está errado por aqui. Ele se refere ao não profissionalismo das bandas e, principalmente, ao provincianismo do público.
Como vamos falar em cultura numa cidade que só aplaude espetáculos já consagrados, como um musical de 30 anos da Broadway ou uma ópera de 200 anos?, questiona. Na opinião do produtor, quando algo exige um raciocínio maior, as pessoas não gostam. Curitiba detesta novidades.
Ele explica que a sua atitude de lançar o CD Lototol, que traz o som de 26 bandas curitibanas, não aconteceu pelo fato delas serem alternativas, mas sim pela mensagem de suas músicas. Manoel Neto critica o rótulo de underground, atrás do qual muitas bandas estariam se escondendo. Não faz sentido ficar restrito neste mundinho, onde os shows são vistos sempre pelas mesmas 200 pessoas, que normalmente são os músicos de outras bandas.
Em sua opinião, o que deve acontecer é uma maior divulgação dos bons trabalhos feitos na cidade. Ele explica, por exemplo, que a desorganização e falta de incentivo é tão grande que, na maioria das vezes, as bandas nunca recebem o pagamento dos bares onde elas tocam.
Quem também olha de forma preocupada para o mercado musical local é o veterano Paulo Hilário, compositor e baixista da banda Metralhas Beatles Again. No ano passado, mais de duas dezenas de CDs curitibanos foram lançados e nada aconteceu. Falta o incentivo das rádios, acusa.
Qualquer música pode se transformar rapidamente num grande sucesso, desde que seja tocada várias vezes nas rádios. O problema é que nossas rádios não criam sucessos, prejudicando as bandas locais, diz Hilário.
Músico desde os 12 anos de idade, na época dos Beatles e Elvis Presley, o compositor diz que sempre foi otimista. Hoje, entretanto, ele acha que os roqueiros estão enfrentando um grande problema na hora de lançar seus discos, já que o mercado está exclusivamente voltado para os ritmos axé, pagode e sertanejo.
Me sinto pessimista em relação à posição medíocre dos programadores das rádios, diz ele. Apesar das dificuldades, o Metralhas Beatles Again acaba de lançar seu novo CD, o sexto da carreira do grupo. O lançamento aconteceu em Liverpool, na Inglaterra, onde em agosto a banda realizou quatro shows na 1998 International Beatles Week, além de participar dos eventos comemorativos ao nascimento da Banda The Beatles. (S.M.)





