Radiofonia
RadiofoniaLançado discretamente em Londrina, o disco Moafa, do trio Radiofonia, vem circulando na cidade de mão em mão. Formado por Cassiano Ricardo (bateria), Fernando Marczak (baixo) e Márcio Lima (guitarra), o grupo faz um mergulho pelo hard rock de influência setentista. A banda funciona bem instrumentalmente, mostrando contornos e saídas eficientes, alternância de bases e resoluções interessantes para o estilo escolhido. A ressalva fica na esfera da composição e das letras, ainda em processo de maturação. O encarte também foi trabalhado com cuidado. Moafa reforça a avalanche de CDs que os músicos paranaenses estão protagonizando desde o ano passado. A produção atual é grande, os estúdios estão acumulando trabalhos e, até o fim do ano, muita coisa deve aparecer.
Paulo Padilha
Certeza é o segundo disco solo do cantor e compositor paulistano Paulo Padilha. Lançado pela Dabliú, o disco traz um suingue com sonoridade limpa e suave. A eletrônica aparece discreta, criando uma ambientação cool. As composições fazem um bom intercâmbio entre letra e melodia. Paulo Padilha traz influências de jazz e surpreende quando apresenta um álter ego envolvido com a fome e a miséria. Essa outra face do compositor, revelada em A Fome e Cachorro, vem acrescentada de um trágico bom humor, com interpretação diferenciada. Esse trânsito entre a soul music e a música regional é feito sem traumas. O disco traz ainda as participações de Ivan Vilela (viola), Luiz Gayotto (voz), Sacha Ambak (teclado), Webster Santos (violão), Oswaldinho do Acordeon (acordeom), e Nenê Cintra e Juçara Marçal (vocais), entre outros.
Graco
Veterano da MPB, Graco é o compositor de Noturno, um dos principais sucessos de Fagner. Noturno continua sendo a principal marca do músico, e é o destaque do CD Kizumba Mass, lançado pela Eldorado. É a música mais redonda de um álbum que contou com participações de instrumentistas como Hugo Hori (sax), Toninho Ferragutti (acordeom), Oswaldinho do Acordeon (acordeom), Bocato (trombone) e Anastácia, Ednardo e Daniel Taubkin (voz). Graco se cercou de toda uma estrutura para lançar um álbum cuidadoso. Mas o repertório nem sempre corresponde, trazendo oscilações entre as canções algumas ainda não amadureceram como Noturno. Natural do Ceará, Graco também já foi gravado por Belchior. Ambos são parceiros em Money, interpretada aqui com ambientação de blues proporcionada pela harmônica de André Carlini.
Cid Campos
Cid Campos é filho do poeta Augusto de Campos e mostra, em No Lago do Olho, uma aproximação entre a música e poesia concreta. O CD abre com a bem elaborada O Olho do Lago, que já foi gravada por Tom Zé. Compositor e instrumentista optou pelo baixo , Cid Campos consegue uma interação particular entre palavra e melodia, sem hesitar nos experimentalismos. Seu disco é um misto de poesia cantada e canto falado. A sonoridade das palavras cumprem diversas funções, aparecendo às vezes como apoio melódico e outras como complemento percussivo. As soluções são criativas para letras nada musicáveis, conseguindo ainda o efeito de sair do lugar comum, provocando surpresas. Cid Campos ousa e se dá bem. No Lago do Olho chega às prateleiras pela Dabliú.
Eugênio Matos
Senta a Pua! é a trilha sonora do documentário homônimo dirigido por Erik de Castro. O filme enfoca a participação do 1º Grupo de Aviação de Caça do Brasil na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Especialista em trilhas sonoras, Eugênio Matos opta pela música eletrônica e tenta traduzir as inflexões emocionais do filme em melodia. A idéia é fugir do clichê de utilizar marchinhas de época em filmes com imagens antigas. Mas, como a maioria das trilhas sonoras, o trabalho especializado de Eugênio Matos está intimamente ligado às imagens, perdendo brilho fora dessa associação. Ainda assim é possível perceber os meandros psicológicos pelos quais o filme transita, da tensão à vitória. Senta a Pua saiu pela Rob Digital.
Suzana Salles
Outro lançamento da nova safra da Dabliú é As Sílabas, álbum da cantora Suzana Salles. Transitando principalmente entre os registros médios e agudos seu timbre não é comum , Suzana Salles abre o CD com a música homônima, de Luiz Tatit. Obcecado pela musicalidade das palavras, Tatit trabalha a melodia como uma extensão natural das frases proposta respeitada pela intérprete. Vale destacar o acompanhamento de Lincoln Antonio (piano), Chico Saraiva (violão) e André Magalhães (percussão). O repertório traz uma versão fiel de Foi Boto, Sinhá (Waldemar Henrique). Há também uma tradução própria de Die Sieben Todsunden (Kurt Weill/Brecht). Entre as inéditas, despontam Paraíso Eu (Arnaldo Antunes) e La Luna é Bella (Ná Ozzetti/ Suzana Salles).





