RÁDIO GLAUCO MATTOSO, libertário por vocação
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segunda-feira, 04 de junho de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Satírico, ácido, perverso. Colocado à marginalidade na época da ditadura brasileira, hoje o poeta, ensaísta e articulista Glauco Mattoso pode ser considerado o ''grande Gregório de Matos dos tempos modernos''. Pelo menos na avaliação do professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Frederico Fernandes, que ainda analisa: ''Ele tem uma capacidade ímpar de satirizar e rimar''.
Fernandes foi um dos participantes do bate-papo com o poeta durante a edição londrinense do projeto Itaú Rumos Cultural - Literatura, realizada no último dia 18 de maio. A conversa, que também contou com a participação do dramaturgo Maurício Arruda Mendonça e do professor do Departamento de História da UEL Rogério Ivano, é a matéria-prima de uma série produzida pela Rádio Universidade FM (109,7 MHz), que vai ao ar até a próxima sexta-feira.
''O interesante do Glauco é que ele usa uma estrutura clássica que é o soneto para satirizar situações cotidianas e populares da vida política e dos comportamentos sociais modernos. A produção dele também é importante, porque contribui para pensarmos como é fazer poesia nos dias atuais'', completa o professor da UEL.
A série radiofônica, intitulada ''Línguas na Papa - o claro e o obscuro no papo e na poesia de Glauco Mattoso'', vai abordar as influências, o fazer poético, a característica libertino-libertária e uma análise da poesia e a relação dela com a música na visão do poeta. ''A edição ainda conta com alguns sonetos dele que foram musicados por artistas brasileiros'', explica a responsável pela produção, Paula Resende. Cada programa da série tem cerca de sete minutos e vai ao ar sempre às 15 horas. Na sexta-feira serão apresentados alguns poemas recitados pelo próprio escritor.
Glauco Mattoso é o pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva, paulista, cego desde 1995, em função de um glaucoma. Daí, o trocadilho com o seu nome artístico, que também se inspira no poeta Gregório de Matos. O escritor se destaca pelos seus poemas marginais, especialmente os da época da ditadura, quando editava um fanzine chamado ''Jornal Dobrabril'', ironizando o tradicional ''Jornal do Brasil''. Atualmente ele publica seus sonetos na revista Caros Amigos, onde assina uma coluna mensal.
Serviço
- Série ''Línguas na Papa - o claro e o obscuro no papo e na poesia de Glauco Mattoso'', no ar sempre às 15 horas, até a próxima sexta-feira (dia 8), na Rádio Universidade FM (107,9 MHz).


