A exploração cada vez maior do cibermundo está obrigando as demais mídias a pensarem em outras praias para garantir o Ibope e a preferência do público. Os que apostam na internet, defendem que a rede chegou primeiro à capacidade máxima de disseminação de informação em tempo real e espera, na sombra, que os outros veículos de comunicação de massa corram e se adaptem à nova realidade.
Uma revolução que massacrou, justamente, o conceito de público heterogêneo e que garantiu, em grande parte, o sucesso do rádio e da TV. Com a queda do muro de um modelo maciço de comunicação, a massa não é mais massa, querendo um tratamento diferenciado.
O mundo virou um blogplaneta e aquela velha idéia de aldeia global implodiu com a possibilidade que as pessoas têm de receber e difundir informações, através de blogs, fotoblogs, bancos de dados portáteis e afins.
A internet não deve ser avaliada como mais um cavaleiro do Apocalipse a decepar a cabeça de mídias, como o rádio, que está renascendo das cinzas.
Na vanguarda dessa nova era em que os teóricos enxergam uma cobertura jornalística diferente da padrão, com blocos de informações fixos, a Rádio Universidade FM (107,9 MHZ) estréia amanhã, o novo formato de jornalismo com fluxos de informações de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Os ouvintes terão informações a cada 15 minutos até às 11 horas.
Ao meia-dia, o público terá uma revista radiofônica ''Trem das Onze'', apresentado pelo jornalista e programador musical, Jersey Gogel. A partir das 13h até as 14h entra no ar reprises de programas de colaboradores apresentados durante os finais de semana, como ''Veredas'', da TV Cultura de São Paulo, com destaque para a cultura popular, ''Planeta Som'', produzido pela Rádio USP, uma vitrine sobre a música do mundo, ''Fora do Eixo'', da Rádio Educativa de Curitiba, privilegiando a música independente, entre outros.
Às 14 horas, o destaque da programação volta a ser as informações em conta-gotas durante toda a tarde. ''Do ponto de vista do ouvinte queremos atender ao público da rádio, abrindo espaço para outros ouvintes. É uma necessidade que coloquei para a equipe, desde que assumi a direção da emissora. Com isso, atenderemos a uma outra característica de uma rádio educativa, que é o papel educativo'', afirma a diretora da emissora, a jornalista Cristina Côrtes, que assumiu a rádio em junho de 2006, ressaltando que as mudanças têm lastro em uma pesquisa com o público interno da UEL, refletindo também uma tendência mundial.
A professora de Radiojornalismo, do curso de Jornalismo da instituição, Flávia Bespalhok, que acompanha os sete alunos estagiários, que desenvolvem projetos na emissora, defende esse brecha encontrada pelo rádio, veículo que alguns profissionais consideravam cachorro morto na briga de gigantes entre internet e TV digital - tecnologias com grandes chances de segmentação.
''Pela primeira vez, o rádio está conseguindo se aproximar da característica técnica própria da veiculação rápida de informação, desde que chegou ao Brasil, em 1922. Tecnicamente sempre teve essa possibilidade. O que teóricos acreditam é que nesse momento o rádio está renascendo, sendo o que mais cresce, inclusive na internet, com estudos de rádio e mídias sonoras. Creio que agora estamos chegando à potencialidade que o veículo tem a oferecer'', avalia Flávia.
Com um quadro de 22 funcionários, sendo três deles dedicados ao jornalismo da emissora - entre os quais os jornalistas Patrícia Zanin, Tony Hara e Valéria Giani - ao seguir o caminho seguro e já testado pela BBC de Londres, a Universidade FM veiculará informações a cada 15 minutos, com doses que se fossem em horário fixo, representariam mais de uma hora diária de jornalismo nos diversos gêneros, com reportagens, análises, comentários e entrevistas.
''Dentro dessa visão, queremos manter o documentário no rádio, gênero que está esquecido e que exige mais dedicação'', afirma Cristina, pautando o jornalismo também na prestação de serviço, que pretende despertar o público para a busca de soluções.
Na avaliação do jornalista Jersey Gogel, o formato de jornalismo de serviço, que a emissora busca, pretende fugir de algumas ciladas, que ainda prendem alguns veículos de comunicação, que não descobriram a melhor maneira de atender a essa exigência do público. ''Sabemos que enquanto serviço podemos nos transformar em burocratas da informação. Não vamos cair nessa armadilha'', garante Gogel ao que Cristina acrescenta, lembrando que a emissora quer abrir espaço aos ouvintes para que também façam análises dos fatos.

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