Durante nove anos, o trabalho da professora Janete El Haouli na Universidade FM vem sendo o de desenvolver o rádio como veículo de arte, que pode ser usado na educação estética, através das funções de escuta. Desde novembro de 91, ela é a diretora do programa Música Nova – Para Ouvidos Pensantes, em que faz os ouvintes ‘‘pensarem com o lado sensível que ainda há dentro de nós’’, explica.
Na condição de pesquisadora e educadora, Janete fala hoje para os participantes da I Semana Arte-Educação, na Universidade Estadual de Londrina, sobre o tema Rádio-Arte-Educação e Escuta de Paisagens Sonoras, onde irá tratar principalmente das funções de escuta, e ‘‘das possibilidades de experimentação que a linguagem acústica propicia’’, explica.
Segundo a professora, a expressão paisagens sonoras surgiu na década de 70, de autoria do canadense Murray Schaefer. ‘‘A compreensão do conceito da expressão é ampla porque todos os sons ao nosso redor podem ser definidos como paisagens sonoras. Mas não é tão simples assim’’, afirma Janete. Citando Schafer, a professora diz que ‘‘o ambiente sonoro é como uma grande composição acontecendo ao redor da gente’’.
A idéia do trabalho da professora é ‘‘romper com as tiranias imperantes do continuum radiofônico vigente’’, diz. O que impera hoje de acordo com Janete é o rádio como fundo musical, e isso, encarado de uma forma pejorativa. ‘‘São necessárias algumas surpresas para que as pessoas sejam levadas a refletir sobre o que ainda há de sensível dentro delas’’, explica.
‘‘Vai ser um desafio falar para um público que não seja formado por músicos’’, diz Janete que terá na platéia arte-educadores, professores de arte em geral e acadêmicos de artes e pedagogia. Além da palestra de hoje, Janete coordena uma oficina sobre o mesmo tema, na próxima quinta-feira.
A I Semana de Arte-Educação segue até o dia 10, com palestras no Sesc (Rua Fernando de Noronha, 264) e oficinas que acontecem no Departamento de Arte do Centro de Educação Comunicação e Artes – CECA, na UEL.

mockup