Ninguém nasceu porque quis a não ser o maestro paranaense Waltel Branco, que não por coincidência completou 78 anos ontem - Dia do Músico. Somente um mestre da música como ele, apesar de viver quase no anonimato, seria capaz dessa proeza impossível aos outros mortais.
''Todos nós somos filhos de Deus, mas você é filho de Deus'', afirmou sobre Waltel, o maior violonista clássico espanhol do século 20, Andrés Segóvia, com quem o paranaense estudou e que, com apenas três meses de bolsa de estudos acabou substituindo as aulas.
''Maestro Waltel: o menino do mundo'' é o documentário que a Rádio Universidade FM (107,9 MHz) apresenta hoje, às 22 horas, com reapresentação amanhã, às 10 horas.
Como profetizou Segóvia, que ao receber Waltel disse que não tinha nada para consertar no paranaense, a destra do dom divino está em cada um dos arranjos que criou. Até quem nunca ouviu falar no seu nome conhece a trilha sonora de Henry Mancini para ''A Pantera Cor-de-Rosa'', que tem arranjos de Waltel. Com 1 hora de duração, o especial produzido pelos jornalistas Patrícia Zanin e Tony Hara, traz duas entrevistas com o maestro.
O primeiro encontro foi em julho, no 27º Festival de Música de Londrina (FML). A outra entrevista aconteceu em Cambé, durante o encontro do mestre com 250 os alunos de uma oficina de sensibilização musical, do Festival de Arte da Rede Estudantil (Fera), promovido pela Secretaria de Estado da Educação.
Além do registro do encontro de Waltel com os estudantes, o programa tem trechos do documentário premiado ''Descobrindo Waltel'', produzido em 2005 por Alessandro Gamo, que foi exibido no FML.
Waltel, que tocou com Dizzy Gillespie, Stravinsky e Nat King Cole, gravando com Quincy Jones, Franco Rossolino, Charles Mariano, Sam Noto, Mel Lewis e Maxi Bennet, começou a dedilhar o violão aos sete anos. ''Com essa idade, eu já tocava todas as missas de Bach'', comenta o próprio Waltel, que afirma também no especial que faz música até sonhando, mas que não se furta ao estudo constante.
Waltel que, curiosamente somente soube o próprio nome aos 19 anos, quando um padre no seminário disse a ele que em seus documentos não estava escrito ''Walter'', como sempre acreditou, comenta no programa a sua relação com as crianças, que inspirou Mancini a convidá-lo para ser o arranjador do tema da ''Pantera''. ''Tenho aprendido muito com elas. Quando dizem que não gostam, você tem que chegar e mudar as coisas. Mancini sabia que gostava de crianças. Foi por intuição que pensou em mim'', destaca o mestre.
Primo-irmão do poeta paranaense Paulo Leminski, Waltel diz que em música não existe certo ou errado porque música é arte e a arte não trabalha com esse conceito. Carregando no currículo 5.300 arranjos musicais para trilhas sonoras de novelas e minisséries da Rede Globo, Waltel foi o arranjador de ''Chega de Saudade'', de João Gilberto, autor que faz questão de que o violão não ocupe o lugar da sua voz.
O próprio João Gilberto, com que o mestre morou, e outros nomes como Djavan, ganharam o primeiro violão do músico paranaense. Com Cazuza, Waltel tem uma entre tantas histórias para contar: ''Fiz os arranjos da música 'Faz parte do meu show'. Quem gravou pela primeira vez foi o grupo, ''Os Abóboras Selvagens e os Miquinhos...''. Disse para o Cazuza: 'A letra está boa, mas esse rock... Então fiz uma coisa bossa nova''', lembra Waltel no especial, o homem que quis nascer músico.

SERVIÇO:
- Documentário de rádio ''Maestro Waltel: o menino do mundo''
Quando - Hoje, às 22 horas, e amanhã, às 10 horas
Onde - Rádio Universidade FM (107,9 MHz)

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