Vencedor do prêmio de melhor diretor no Sundance Festival de 1999, ‘‘Judy Berlin’’ é o primeiro filme de Eric Mendelsohn, um artista plástico que trabalhou como assistente de figurino em três filmes de Woody Allen. Com fotografia em preto-e-branco, o filme é um retrato melancólico da vida nos subúrbios americano, seguindo uma tendência do cinema independente que é dissecar a vida com sentimentos radicalmente pessimistas.
Para quem conhece o cinema de Woody Allen e Antonioni não será difícil encontrar em ‘‘Judi Berlin’’ referências cinematográficas que fazem parte do trabalho destes dois cineastas. O filme é uma comédia sombria sobre a volta ao lar, mas também sobre outras formas de fracasso profissional e afetivo. Mandelsohn traça o caminho de dois amigos de colégio que não se viam há muito tempo.
David Gold (Aaron Harnick) acaba de voltar para a casa dos pais, na pequena Babylon, no estado de Nova York (EUA). Deprimido, ele tenta se recuperar de uma fracassada tentativa de se tornar cineasta em Hollywood. Judy Berlin (Edie Falco), a velha amiga, está prestes a traçar o caminho inverso: passa seu último dia em Babylon antes partir para Los Angeles, onde pretende ser atriz. O mais interessante é que esse encontro acontece durante um eclipse solar.
Esse encontro é apenas a fatia de um roteiro que acompanha vários outros personagens, todos profundamente frustrados. Mandelshon filma essas histórias em clima melancólico e soturno, que é valorizado pela fotografia em preto-e-branco. Apesar das inúmeras referências ao cinema de Allen e Antonioni, Mandelsohn demonstra em seu filme de estréia, ser um cineasta com visão e idéias próprias. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 97 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS



ReproduçãoMesmo atirando para todos os lados, ‘‘Oriundi’’ não empolga





Oriundi
Apesar da presença de Anthony Quinn, que engrandece qualquer filme, ‘‘Oriundi’’, longa de estréia de Ricardo Bravo, naufraga na praia. Prolixo e desfocado, o filme não se define entre ser uma história de amor, um drama familiar ou um retrato sobre as dificuldades da imigração. Quinn que já interpretou papeis de grego, árabe, índio e até de esquimó, faz em ‘‘Oriundi’’ o italiano Giuseppe Padovani, o patriarca de uma família de imigrantes que mora em Curitiba, uma bela cidade pouco explorada pelo cinema brasileiro.
Giuseppe amarga a saudade de Caterine, o grande amor de sua vida que morreu há sete décadas. Quando conhece a jovem Sofia (Letícia Spiller), uma prima distante, acredita tratar-se de sua amada. Apesar do tema ser interessante, o roteiro é frouxo e acaba arranhando outros temas como velhice, reencarnação, abandono e tradição familiar, porém sem se aprofundar em nenhum deles. Mesmo atirando para todos os lados, ‘‘Oriundi’’ não consegue empolgar o espectador. Lançamento da Warner. 97 minutos.















ReproduçãoSandra Bullock interpreta uma escritora que bebe feito uma esponja




28 Dias
Sandra Bullock não vive uma de suas melhores fases. Depois de estrelar ‘‘Forças da Natureza’’, uma comédia fraquinha, ela fez ‘‘28 Dias’’, que foi um grande fracasso de bilheteria. Mas não precisa ficar com pena dela. ‘‘28 Dias’’ é, com certeza, um dos piores filmes deste ano. A atriz interpreta uma escritora que bebe feito uma esponja e vive cometendo acidentes. Ela acaba sendo internada numa clínica de recuperação, onde um existem um homossexual afetado, um adolescente deprimido, um velho grosseiro, mas de bom coração e um garanhão. Haja clichês!
O filme é dirigido por Betty Thomas, que fez ‘‘Dr. Dolittle’’ e ‘‘O Rei da Baixaria’’, que mais uma vez segue a cartilha de Hollywood. ‘‘28 Dias’’ é tão chato, previsível e piegas que para suportá-lo só mesmo tomando uns tragos antes. Lançamento da Columbia. Duração: 115 minutos.

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