Radicalmente romântica
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Roberta Brasil<br> TV Press 
Difícil saber o que chama mais atenção na VJ Penélope Nova, da MTV. A apresentadora do roqueiro ''Riff'', que exibe clipes, e do divertido ''Peep'', programa sobre sexo que divide com Jairo Bouer e Didi tem 16 tatuagens, piercing no nariz e um jeito desconcertante de contar histórias. Quando fala de trabalho, mistura sexo, música, moda e comportamento. Mas sempre surpreende. ''Nunca quis ser VJ. Prefiro um trabalho burocrático, daqueles que a gente bate ponto'', garante a baiana de Salvador, que concilia o trabalho de VJ com a coordenação de relações artísticas da emissora.
Filha do cantor e compositor baiano Marcelo Nova, ex-líder do Camisa de Vênus, Penélope cresceu no meio musical, entre os roqueiros amigos do pai. Na adolescência, virou vendedora em loja de shopping. Depois, trabalhou numa gravadora, fazendo divulgação para rádio e tevê. Em 1997, recebeu o convite para o departamento de relações artísticas da MTV. Mas só no início do ano passado fez um teste para VJ, a pedido da própria emissora, e estreou como apresentadora do ''Riff''. Atualmente, Penélope se divide entre o trabalho de escritório e as gravações semanais de ''Riff'' e ''Peep''. ''Só faço programas com os quais me identifico. Não sei fazer tipo'', jura.
Você consolidou na MTV a imagem de roqueira rebelde e desbocada... Acha que isso reflete bem sua personalidade?
Em parte. Sou exatamente o que sou dentro e fora do vídeo. Por isso, não tenho essa de medir palavras. Falo tudo na lata. É o que acontece no ''Peep''. Conversa de sexo tem de ser direta. É ''Gozou ou não gozou?''. O que as pessoas não entendem é como eu posso ter piercing, tatuagem, falar o que penso e dizer que sou romântica. Eu sou muito romântica! Sonho em casar, morar num lugar tranquilo, ter um restaurante... Enfim, sou uma mulher normal!
Mas foi com o visual agressivo e jeito despojado que você se destacou na emissora...
Não sou mesmo um tipo comum... O pessoal da MTV sempre morre de rir com meus rolos. Mas nunca planejei virar VJ. A coisa começou de brincadeira. A emissora estava abrindo teste nas internas e insistiram para eu fazer. Eu fiz e eles me chamaram. Só que não me considero profissional. Não saberia fazer algo diferente do que sou. Nem gostaria. Na verdade, prefiro uma boa rotina. É bom entrar e sair no mesmo horário, ter intervalo de almoço, carteira assinada. Por isso, não largo de jeito nenhum meu trabalho no departamento. Ele me dá segurança.
E os programas?
Gosto muito de fazer. Mas encaro como uma diversão. Tanto no ''Peep'' quanto no ''Riff'', as gravações acontecem uma vez por semana. Então é mais tranquilo. Chego para gravar depois de um dia inteiro de trabalho na emissora, falando no telefone, fechando com artistas, gravadoras... A hora de gravar é relax. Sou eu mesma falando o que penso. Além do mais, música e sexo são dois assuntos que eu conheço.
Você é filha do músico Marcelo Nova. Como ele influenciou suas preferências musicais?
Eu cresci nesse meio. Ganhei meu primeiro disco, um compacto dos Beatles, aos cinco anos. Nossa casa era frequentada por roqueiros e, como meu pai também tinha uma loja de discos, estava sempre por dentro dos lançamentos. Tanto que meu gosto musical, na verdade, é uma miscelânea: vai de The Clash, David Bowie, Kiss até Madonna, que admiro por ser uma mulher bem resolvida. Essa bagagem eu adquiri na infância. É minha base como VJ.
Você parece não se impressionar com o ''status'' de apresentadora. Não tem mesmo nenhuma ambição artística?
Sinceramente, não. Não entro nessa paranóia de muitos VJs, que deixam a MTV achando que são estrelas. Que o mundo gira em função deles e tudo que eles falam é importante. A perda da referência é fácil de acontecer quando a gente não controla o ego. Essa história de fama é uma bobagem. Eu quero mesmo é ser feliz. Ter meu maridinho, uma casa num lugar tranquilo com meus bichos, um restaurante... Não tenho qualquer ambição profissional. Nem a pretensão de deixar minha marca para a humanidade.


