''É um ser humano igual ao outro, é uma pessoa igual a mim, que tem coração, tem sentimentos, tem família. O que muda é a cor. Se eu fico imaginando minha filha casando com um negro, fico imaginando meus netos, tudo sararazinho, eu passando henê neles... Mas eu vou amá-los da mesma maneira, como se ela tivesse casado com um louro nórdico, maravilhoso e tivesse filhos louros e maravilhosos. Eu ia amá-los, são meus netos, mas fico pensando... Eu não acho o cabelo do negro bonito e estou sendo sincera''.
Essas palavras foram ditas pela dona-de-casa Cláudia Lúcia, membro da equipe Fogo, de ''No Limite 3''. Ela se referia ao possível envolvimento entre a estudante Tatiana e o modelo Fábio, que dormiram juntos na rede no último episódio do programa. Tatiana é loura e Fábio é negro.
O tom das palavras de Cláudia repercutiu não apenas entre os telespectadores. Até no Congresso Nacional, deputados petistas de diversos Estados divulgaram uma nota de repúdio às cenas que foram ao ar em ''No Limite 3'' no domingo.
Segundo os deputados, ''a participante Cláudia Lúcia representa em seu discurso uma afronta à dignidade da pessoa humana''. A nota foi assinada pelos deputados Luci Choinacki (PT-SC), João Grandão (PT-MS), Paulo Paim (PT-RS), Luiz Alberto (PT-BA), Gilmar Machado (PT-MG), Carlos Santana (PT-RJ).
Ontem, aproveitando o Dia da Consciência Negra, 15 integrantes do grupo Comitê Negro Nacional realizaram uma manifestação na porta da Rede Globo. Eles protestaram contra declarações de Cláudia Lúcia. O grupo quer que a emissora retire do programa essa participante, como forma de punição por sua postura preconceituosa.
''Eu tenho uma filha e eu vou ser sincera... Eu não gostaria que minha filha hoje com dez anos namorasse um negro quando tivesse 20 anos. Se ela for feliz... Que seja assim! Mas não vou falar que vou ficar satisfeita. Eu fui criada assim, né? Não sei se a palavra chega ser preconceito'', disse Claudia, no último episódio.

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