Raça põe disco novo na praça
Michele Muller
de Curitiba
Especial para a Folha2
O grupo Raça Pura está lançando, pela BMG, Balanço do Buzu, o segundo disco de sua carreira. Ao contrário do CD de estréia, do qual emplacaram as músicas O Pinto e Julieta, o novo trabalho foge de letras apelativas e maliciosas. É composto de canções dançantes - feitas sob medida para entrar no repertório que irá marcar o próximo verão.
Dessa vez, explica o vocalista André Neves, procuramos valorizar mais as letras. Falamos muito de amor, e nada pejorativo. Não queremos que aconteça a mesma coisa que aconteceu com o primeiro disco, que foi muito criticado por alguns jornalistas.
Segundo ele, a idéia inicial não era partir para temas como ao que se refere o sucesso O Pinto. Só que o CD surgiu por causa daquela música. Não podíamos ter fugido disso. Ela teve uma boa aceitação, e por isso recebemos a proposta da gravadora, justifica.
A mudança, revela André, poderá ser percebida também no palco, quando o grupo iniciar sua turnê pelo País. Com letras mais comportadas, as danças provocativas precisaram dar lugar a um rebolado mais contido. Queremos que as meninas estejam no palco de maneira mais tranquila. A sensualidade continua, mas nada apelativo, garante.
Algumas músicas do novo trabalho já estão entre as mais tocadas de rádios da Bahia. Passarinho, de Nailton Alves, Nenel e Robson, e A Peneira, de Dercy Veloso, Nenel e Jorge Santos são duas delas.
A maior parte das composições são assinadas pelos próprios integrantes do grupo - formado por dez músicos e duas dançarinas. Outras têm autoria de letristas consagrados em Salvador, como Edu Casanova e Tenison Del Rei.
Só cantamos sambas. As pessoas normalmente rotulam as músicas baianas, achando que são todas em ritmo de axé, diz o vocalista, elevando o mais puro pagode ao nível do samba.





